<!-- Projetão · Quest #1 — Temáticas · projetao-ufpe.vercel.app -->

# Instruções para a IA

Você vai acompanhar um aluno do Projetão (CIn-UFPE) na quest abaixo.
Este arquivo é autocontido: tudo o que você precisa está aqui.

**Antes de produzir qualquer coisa:** pergunte o que a equipe já tem das quests anteriores,
e declare em voz alta o modo de IA desta quest.

**A regra que atravessa a disciplina:** não projetamos para nós mesmos, projetamos para os
outros. Toda afirmação sobre o usuário precisa de evidência de campo. Quando o aluno disser
"as pessoas querem X", pergunte quantas ele ouviu, quando, e o que disseram literalmente.
Se for suposição, diga isso — não ajude a fabricar justificativa bonita.

**Você não escreve a entrega no lugar do aluno.** Ele defende o resultado numa apresentação
semanal. Você pergunta, critica, organiza e devolve.

**Você não inventa dado de mercado, número de entrevista nem citação.**
Se falta evidência, o certo é dizer que falta. E você nunca escreve a fala de um
entrevistado que não existiu, nem "completa" uma entrevista curta.

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# Quest #1 — Temáticas

> **Objetivo.** Identificar temáticas potenciais que contenham oportunidades de inovação, para que os grupos possam ser formados.

| | |
|---|---|
| **Modo de IA** | 🔴 sem assistência no campo · 🟡 com apoio no preparo e na síntese |
| **Milestone** | nenhum ainda (*Usuário* abre na Q2) — mas esta quest é o alicerce de todos os 13 |
| **Entrega** | levantamento de campo + personas + enquadramento em ODS |
| **Erro que mais reprova** | chegar com a solução já decidida e usar o campo para confirmá-la |

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## Antes de responder qualquer coisa

Faça estas três perguntas ao aluno. Não comece a produzir conteúdo antes de tê-las respondidas:

1. **Você já foi a campo?** Se não, o trabalho agora é preparar a ida — não escrever a entrega.
2. **Você já tem um projeto em mente?** Se sim, é sinal de alerta. Ver *A armadilha da semana 1*.
3. **Sozinho ou em equipe temporária?** Na Q1 os grupos ainda não estão formados; a temática é que vai formá-los.

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## A armadilha da semana 1

Esta quest **não é** definir seu projeto.

É um levantamento preliminar de contextos e questões que existem **concretamente** — não fruto de suposição. Junto com o que as outras equipes trouxerem, ele vai ajudar a achar assuntos e públicos para aprofundar depois.

Três formas que a armadilha assume:

**"Já sei o que quero fazer, só preciso do campo para justificar."** Aí o campo vira caça a evidência confirmatória. É o oposto do exercício, e o resultado é reconhecível: nada te surpreende.

**"Tenho um projeto de outra disciplina."** Não vale. É preciso aprender a escutar e observar, e ideia pronta impede isso. Você pode trazer algo interessante, mas refaz o processo do início: evidência, problema real, relevância, escala.

**"O tema não me interessa."** Ver *Perguntas frequentes*.

> A competência mais importante desenvolvida aqui é identificar problemas e resolvê-los. A disciplina existe para formar quem **acha** o problema — não a mão que executa a ideia dos outros.
>
> — material da disciplina (projetao.cin.ufpe.br)

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## As perguntas da entrega

**1. Qual a temática que a equipe resolveu investigar, e por quê?**

**2. Por que ela é relevante? Como impacta a sociedade? A qual ODS se relaciona? Quais os principais desafios?**
Precisa de **evidência** — artigo, reportagem, dado — mostrando que o assunto importa para alguém além de você.

**3. Em que evidências vocês se baseiam? Conversaram com quem conhece o assunto? Fizeram pesquisa? O que mais chamou atenção?**

**4. Que lugares poderiam ser visitados e que pessoas entrevistadas para aprofundar nas próximas quests?**

E, a partir do levantamento: **personas** dos grupos observados, o que mais chamou atenção no lugar, e o que você acredita serem as questões mais importantes a tratar ali.

> Ex.: Jorge, 53 anos. Mora perto do parque e usa o espaço regularmente para se exercitar. Tem 3 filhos, trabalha meio período e adora comer o abacaxi na saída do parque.

Faça persona para **todo grupo que conseguir identificar** — comece pelos mais visíveis, depois complemente com os que passariam despercebidos. É frequente a inovação nascer justamente desses.

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## O procedimento

### Antes de ir — 🟡 com apoio

1. **Escolha 2 ou 3 lugares**, um deles fora da sua zona de conforto. Ver *Onde observar*.
2. **Escolha a postura de observação.** Mosca-na-parede? Observador reconhecido? Participante? A escolha muda o que você consegue ver e o quanto você contamina a cena. → **Observação de campo — Quest #1** (neste arquivo)
3. **Monte a grade.** O AEIOU é o padrão da disciplina. → **Observação de campo — Quest #1** (neste arquivo)
4. **Defina o registro:** caderno, foto, áudio. Combine quem faz o quê.
5. **Escreva antes o que você espera encontrar.** Serve para medir depois o quanto o campo te surpreendeu — e campo que não surpreende foi mal observado.

### No campo — 🔴 sem assistência

6. **Observe antes de perguntar.** Fique tempo suficiente para o lugar parar de te notar.
7. **Separe fato de inferência.** "Três pessoas revezaram o mesmo banco em 20 minutos" é fato. "Falta assento" é inferência. Registre os dois, em colunas diferentes.
8. **Preste atenção nos papéis periféricos** — quem limpa, quem vende, quem espera, quem fiscaliza.
9. **Converse informalmente, sem roteiro.** Ainda não é a entrevista estruturada da Q2.
10. **Confirme suas interpretações ali mesmo**, com quem está no local. Interpretação não checada vira projeto errado. (princípio da indagação contextual)

### Depois — 🟡 com apoio

11. **Descarregue as anotações antes de dormir.** Memória de campo evapora em horas.
12. **Sintetize por afinidade** antes de tirar conclusão. → **Síntese e personas — Quest #1** (neste arquivo)
13. **Construa as personas a partir dos agrupamentos** — não do que você imagina.
14. **Busque evidência externa** para as questões que apareceram, e **confira na fonte**, não no resumo.
15. **Enquadre nos ODS** e escreva a entrega. → **ODS — enquadrar a temática sem forçar** (neste arquivo)

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## Onde observar

**Vá onde a atividade acontece.** Se te interessa inovar em atividade esportiva, vá a um ginásio; melhor ainda, a um lugar onde vários papéis convivem — um clube em dia de treino, com jogadores, técnicos, assistentes, imprensa e torcedores ao mesmo tempo.

**Evite o óbvio e o familiar.** Shopping, praça de alimentação, sala de aula, laboratório. Em espaço que já frequentamos tendemos a não enxergar o que acontece — presumimos que conhecemos. É mais fácil ver com clareza onde não temos presunção.

**Espaço virtual conta.** Mas o que importa não é o local: é o contexto, a situação, as dificuldades e os interesses das pessoas naquele cenário. Alguém operando na Bolsa — o relevante não é a Bolsa, é *de que maneira* essa pessoa faz isso. Na praia sob um guarda-sol? Num escritório, com assessor no telefone? É no cenário e nas questões em volta da atividade que moram os bons problemas.

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## Referências desta quest

Carregue conforme a necessidade — não leia todas de uma vez.

| Arquivo | Quando |
|---|---|
| **Observação de campo — Quest #1** (neste arquivo) | Antes de ir a campo. Posturas de observação, AEIOU detalhado, indagação contextual, sondas culturais, efeito Hawthorne |
| **Síntese e personas — Quest #1** (neste arquivo) | Depois do campo. Diagrama de afinidades, como construir persona a partir de dado, o que invalida uma persona |
| **ODS — enquadrar a temática sem forçar** (neste arquivo) | No fechamento. Os 17 objetivos e como enquadrar sem forçar |
| **Autodiagnóstico — Quest #1** (neste arquivo) | Antes de entregar. Rubrica 0–5 e os sinais de cada nível |

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### Antes de registrar pessoas

| Arquivo | Quando |
|---|---|
| `../../metodo/consentimento.md` | Antes de ir a campo. O que pedir antes de fotografar ou anotar nome de alguém |

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### Técnicas desta quest

Fichas curtas de consulta rápida. Abra quando o procedimento acima mencionar a técnica.

| Ficha | Para quê |
|---|---|
| **AEIOU Framework** (neste arquivo) | grade de observação de campo |
| **Personas** (neste arquivo) | arquétipos a partir do observado |
| **Mapa de Empatia** (neste arquivo) | o que o usuário vê, ouve, fala e pensa |
| **Jornada do Usuário** (neste arquivo) | o que acontece com ele ao longo do tempo |

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## Perguntas frequentes

**"Não me sinto motivado, o tema não me interessa."**
Os temas saem da Q1 e são votados por todos — nenhum é imposto. Se o que te agrada não venceu, há três possibilidades: você não trouxe evidência de algo realmente interessante; a evidência não convenceu ninguém além de você (o que já indica que o tema não se sustenta); ou você quer trabalhar sobre algo que imagina, sem evidência. Nos três casos, a resposta é a mesma — sem evidência de relevância, não é caminho a seguir.

Sobre motivação, vale separar duas coisas: o resultado do semestre, por melhor que fique, estará longe de um produto maduro. O que permanece é o aprendizado e a experiência. Um tema sem graça continua oferecendo isso por inteiro.

**"Posso observar um espaço virtual?"** Pode. Ver *Onde observar*.

**"Uma persona por grupo, ou só a mais comum?"** Todas que você conseguir identificar e enquadrar.

**"Quanto tempo preciso ficar no local?"** Não há número oficial. Regra prática: até parar de anotar coisas novas. Se você saiu em 15 minutos com a folha cheia, provavelmente anotou o óbvio.

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## Bibliografia desta quest

| Obra | O que ela dá para a Q1 |
|---|---|
| **IDEO — HCD Toolkit** (pt-BR, integral) | A fase *Ouvir*: como se preparar, como escutar, como registrar |
| **Hanington & Martin — Universal Methods of Design** | Os métodos de observação, um a um, com origem e quando usar |
| **Stickdorn & Schneider — This Is Service Design Thinking** | Observação de serviço, jornada, pontos de contato |
| **Holtzblatt, Wendell & Wood — Rapid Contextual Design** | A indagação contextual em detalhe: o modelo mestre/aprendiz |
| **Maurya — Running Lean** (cap. 6) | O preparo para conversar com pessoas; ele terceiriza a observação para os títulos acima |
| **Blank — The Four Steps to the Epiphany** | Customer discovery: por que sair do prédio vem antes de tudo |

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<!-- referencias/autodiagnostico.md -->

# Autodiagnóstico — Quest #1

Faça este exercício **antes** de entregar. Ele é o mesmo que o mentor vai fazer depois.

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## A escala

A Q1 não alimenta um milestone próprio — o primeiro, *Usuário*, abre na Q2. Mas ela é o alicerce de todos os 13, e a qualidade dela determina o teto das seguintes. Use a mesma escala 0–5 da disciplina:

| Nível | Significado |
|---|---|
| **0** | O critério ainda não aparece. |
| **1** | Já aparece, mas sem clareza nem coerência. Normal na primeira vez. |
| **2** | Falta clareza **ou** falta coerência. A resposta ainda está no terreno da insegurança. |
| **3** | Coerente, mas ainda não totalmente claro. Resta uma parcela de incerteza. |
| **4** | Claro e coerente com toda a proposta. Ainda cabe aperfeiçoar, mas a equipe responde com segurança. |
| **5** | Perfeitamente alinhado ao conjunto. As respostas são sólidas. |

O salto que trava a maioria é o **3 → 4**: sair de "faz sentido" para "eu sustento isso sob pergunta". O que falta quase nunca é redação — é evidência de campo.

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## Rubrica por dimensão

### 1. Ida a campo

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|---|---|
| **2** | Fomos a um lugar que já conhecíamos, ficamos pouco tempo, e conversamos com quem estava por perto. |
| **3** | Fomos a um lugar novo e ficamos tempo razoável, mas não registramos de forma sistemática. |
| **4** | Lugar novo, permanência até parar de anotar novidade, registro estruturado (AEIOU ou equivalente), com fato separado de inferência. |
| **5** | O acima, mais uma segunda visita com postura diferente da primeira, e interpretações checadas com quem estava lá. |

### 2. Evidência de relevância

| | |
|---|---|
| **2** | "É um problema conhecido", ou uma reportagem citada sem link. |
| **3** | Fonte externa citada, mas genérica ou desatualizada — ou lida em resumo. |
| **4** | Dado de fonte primária, com ano e link, **aberto e conferido**, que dimensiona o problema. |
| **5** | O acima, mais o reconhecimento explícito de onde o dado não cobre o que vocês observaram. |

### 3. Personas

| | |
|---|---|
| **2** | Perfis demográficos ("mulher, 25–34, classe B"). Não dá para apontar de que observação vieram. |
| **3** | Personas com narrativa, mas parte foi preenchida por plausibilidade. |
| **4** | Cada persona é rastreável a observações concretas; há padrões de comportamento, não só demografia; os grupos menos visíveis aparecem. |
| **5** | O acima, mais contradições internas realistas e ao menos uma persona que vocês não esperavam encontrar. |

### 4. Enquadramento em ODS

| | |
|---|---|
| **2** | Um número de ODS citado, sem meta, que serviria para qualquer projeto. |
| **3** | ODS coerente com o tema, mas sem meta específica nem dado. |
| **4** | ODS principal + meta numerada + dado que dimensiona a lacuna daquela meta. |
| **5** | O acima, com a justificativa de por que **este** ODS e não o vizinho. |

### 5. Postura de investigação

| | |
|---|---|
| **2** | O campo confirmou o que a equipe já achava. |
| **3** | A equipe cita algo que aprendeu, mas o rumo geral não mudou. |
| **4** | A equipe nomeia pelo menos uma coisa que a surpreendeu e mudou de ideia por causa dela. |
| **5** | O acima, com registro do que se esperava encontrar **antes** da ida, para comparação. |

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## Checklist rápido

- [ ] Fui a um lugar onde **não** costumo estar?
- [ ] Tenho registro do que **vi**, separado do que **concluí**?
- [ ] Minhas personas vieram de pessoas observadas, ou são invenção plausível?
- [ ] Consigo citar uma coisa que me **surpreendeu**?
- [ ] A evidência de relevância é externa e verificável — e eu **abri** a fonte?
- [ ] O enquadramento em ODS diz algo específico, ou serviria para qualquer projeto?
- [ ] Listei lugares e pessoas concretas para a Q2, com nome?
- [ ] Declarei o que ainda não sei?

**Sinal de alerta:** se a sua temática coincide exatamente com o app que você já queria fazer antes da aula, volte ao campo.

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## Registro de trajetória (modo de IA)

Meia página, entregue junto. Ver `metodo/modo-ia.md` para o racional.

1. **Modo** em que a quest foi feita, e onde você saiu dele.
   *Na Q1 o campo é 🔴 sem assistência. Se a IA participou da observação, isso precisa estar declarado — e provavelmente invalida o levantamento.*

2. **O que a IA gerou e você descartou — e por quê.** Este é o item mais informativo dos quatro.
   *Típico da Q1: a IA propõe personas plausíveis a partir do tema. Descartar e refazer a partir das notas é exatamente o comportamento esperado.*

3. **O que você verificou, e como.**
   *Típico da Q1: o dado de relevância. Diga qual afirmação você foi conferir na fonte primária.*

4. **O que ainda não sabe.**

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## Como o mentor vai ler

Três perguntas que aparecem com regularidade na apresentação da Q1. Se você tem resposta para as três, está em 4:

1. **"Quantas pessoas vocês observaram, onde, e por quanto tempo?"**
   Resposta fraca: "várias". Resposta forte: número, local, duração, e quantas visitas.

2. **"O que vocês esperavam encontrar e não encontraram?"**
   Não ter resposta indica que o campo foi confirmatório.

3. **"De onde veio esse número?"**
   Se a resposta for "eu vi numa matéria", a pergunta seguinte é qual matéria, e a seguinte é qual a fonte dela.

Divergência entre a sua auto-avaliação e a leitura do mentor é informação útil, não constrangimento. Equipe que se dá 5 no que o mentor vê como 2 tem um problema anterior ao do projeto.

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<!-- referencias/observacao-de-campo.md -->

# Observação de campo — Quest #1

Tudo o que você precisa decidir **antes** de sair para o campo, e como registrar enquanto está lá.

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## 1. A decisão que ninguém toma e devia: qual postura de observação

A página do Projetão diz "vá observar". Isso esconde uma escolha que muda o resultado. Há quatro posturas, e elas trocam **fidelidade** por **profundidade**.

### Mosca-na-parede (*fly-on-the-wall*)

Você coleta informação **sem participar e sem interferir** — olhando e ouvindo, de fora.

**Ganha:** minimiza o viés e a influência sobre o comportamento observado.
**Perde:** reduz sua capacidade de conectar empaticamente e de sondar a motivação por trás do comportamento.

Zeisel distingue dois graus:

- **Estranho secreto** — observador distante, num ponto de vista que o remove dos participantes. Minimiza qualquer influência sua ou do equipamento de registro. Limitação: captura pouco da nuance individual da interação.
- **Estranho reconhecido** — os observados sabem da sua pesquisa e do seu papel, mas você se posiciona de forma natural e discreta no ambiente.

**Quando usar na Q1:** é a postura padrão para a primeira visita, quando você ainda não sabe o que está procurando.

### Observação participante

Método fundacional da antropologia, adaptado para design. Você **participa da atividade** para entender a situação por dentro, formando conexão e empatia com as pessoas e com o que importa para elas — vivendo os eventos do mesmo jeito que elas.

Zeisel distingue dois níveis:

- **Participante marginal** — você se mistura ao ambiente como observador natural da atividade. Ex.: pegar o ônibus para observar quem usa transporte; ir ao jogo para observar a torcida. **É este o nível viável num semestre.**
- **Participante pleno** — tornar-se membro completo do grupo, em casos extremos por infiltração. Não é papel típico do pesquisador de design: há questões éticas, investimento de tempo e risco. Virar garçom para estudar restaurante é caro; virar equipe médica para estudar hospital é impossível.

**Quando usar na Q1:** na segunda visita, depois que a mosca-na-parede já mapeou o terreno.

### Indagação contextual (*contextual inquiry*)

Método imersivo de observar **e** entrevistar ao mesmo tempo, que revela a estrutura de trabalho subjacente — aquela que é invisível para quem a executa. Criado por Karen Holtzblatt.

Quatro princípios definem o método:

| Princípio | O que significa |
|---|---|
| **Contexto** | Você tem de passar tempo **onde a coisa acontece**. É preciso entender a experiência *em curso*, não a experiência *resumida*. Perguntar "como você costuma fazer?" devolve o resumo; observar devolve o real. |
| **Parceria** | Modelo **mestre/aprendiz**. Como um aprendiz, você observa, pergunta com respeito e busca entender por que as coisas são feitas daquele jeito; o mestre ensina fazendo e falando sobre a tarefa enquanto ela acontece. A transferência de conhecimento é mais confiável quando a pessoa fala do trabalho **enquanto trabalha**. |
| **Interpretação** | O que você viu e ouviu é só o ponto de partida. Todo dado precisa ser interpretado antes de virar implicação de projeto. E é **crítico checar a interpretação ali mesmo, com a pessoa** — se você perde essa chance, a má interpretação vira ideia de projeto errada. |
| **Foco** | Você precisa expandir os limites do seu foco pessoal e ver mais do mundo do participante. Toda vez que você se surpreende, ou que algo do participante contraria sua expectativa, é ali que há algo a aprender. |

**Por que isso importa na Q1:** o princípio da **parceria** resolve o problema mais comum do aluno tímido — ele não sabe o que dizer no campo. A resposta é: você não é entrevistador, é aprendiz. Peça para a pessoa te ensinar o que ela faz.

E o princípio da **interpretação** resolve o segundo problema mais comum: o aluno volta do campo com conclusões que ninguém validou. Checar na hora custa uma frase: *"então, se eu entendi, você faz assim porque…?"*

### Sondas culturais (*cultural probes*)

Instrumentos provocativos entregues aos participantes para inspirar novas formas de autocompreensão e de comunicação sobre suas vidas, ambientes, pensamentos e interações.

Consistem em materiais projetados para fazer a pessoa considerar seu contexto e responder de forma criativa: cartões-postais, mapas, diários, câmeras, gravadores, textos e imagens — empacotados juntos num kit. São deliberadamente flexíveis e abertos.

No estudo original (Gaver, Dunne & Pacenti, 1999), com idosos em três comunidades europeias: postais com imagens obscuras, pré-endereçados para devolução, com perguntas abertas sobre ambiente, vida e tecnologia; mapas em papéis variados pedindo que marcassem zonas para encontrar gente, para ficar só, para sonhar, e para ir aonde não podiam ir; câmeras descartáveis para fotografar coisas atribuídas e escolhidas, montando uma história num álbum; e um diário de mídia sobre interações com tecnologia.

**Ponto essencial:** sondas culturais **não são para análise formal**. Servem como peças inspiracionais que identificam padrões e temas, em conjunto com outros métodos.

**Quando usar na Q1:** quando o tema é sensível, íntimo ou constrangedor, e a observação direta seria invasiva.

> ⚠️ A página do Projetão descreve sondas culturais e cadernos de sensibilização sem citar a origem. A fonte canônica é **Gaver, Dunne & Pacenti, "Cultural Probes", *interactions*, jan-fev 1999, pp. 21–29**.

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## 2. O efeito Hawthorne — e por que ele importa para você

Mesmo com o melhor esforço para ficar distante e discreto, há uma desvantagem persistente: **as pessoas mudam de comportamento quando sabem que estão sendo observadas.**

O nome vem de um estudo de produtividade nos Hawthorne Works da Western Electric, em Chicago, nos anos 1920–30. Manipulava-se o nível de iluminação para medir efeito na produtividade. A produtividade subia **independentemente** da manipulação — e caía quando o estudo terminava. A conclusão foi que a própria intervenção, ou o interesse demonstrado pelos trabalhadores, é que produzia o ganho.

**Consequência prática na Q1:** se você entra num lugar com prancheta e crachá, o que você vê já não é o que acontece quando você não está. Duas mitigações: fique tempo suficiente para o efeito decair, e prefira a mosca-na-parede na primeira visita.

**Segundo alerta:** *partidarismo percebido*. Se você é associado a uma facção do ambiente — a gerência, a direção, a fiscalização —, o comportamento à sua volta muda de forma dirigida. Pense em quem te apresentou ao local.

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## 3. AEIOU — a grade padrão da disciplina

Framework organizacional que lembra o pesquisador de atender, documentar e codificar informação sob uma taxonomia guia.

| | | A pergunta |
|---|---|---|
| **A** | **Atividades** | Conjuntos de ações dirigidas a um objetivo. Que caminhos as pessoas percorrem em direção ao que querem realizar, incluindo ações e processos específicos? |
| **E** | **Ambientes** (*Environments*) | A arena inteira em que as atividades acontecem. O que descreve a atmosfera e a função do contexto, incluindo espaços individuais e compartilhados? |
| **I** | **Interações** | Entre uma pessoa e alguém ou algo mais — são os blocos que constroem as atividades. Qual a natureza das interações rotineiras e especiais, entre pessoas, entre pessoas e objetos, e a distância? |
| **O** | **Objetos** | Os blocos que constroem o ambiente. Elementos-chave às vezes postos em usos complexos ou não pretendidos, mudando função, significado e contexto. Que objetos e dispositivos as pessoas têm, e como se relacionam com suas atividades? |
| **U** | **Usuários** | As pessoas cujos comportamentos, preferências e necessidades estão sendo observados. Quem está presente? Quais seus papéis e relações? Quais seus valores e vieses? |

**Os elementos não são independentes** — são partes inter-relacionadas, com interações críticas entre si. É aí que mora o achado: um **objeto** fora do **ambiente** esperado, sustentando uma **atividade** que ninguém previu, é a definição de gambiarra — e gambiarra é o que a Q2 vai procurar.

### Como aplicar

Monte uma planilha com os cinco campos e preencha **durante** a observação, não depois. Ao fim, os dados já saem estruturados para análise.

O que for levantado em **U** alimenta diretamente as personas.

> ⚠️ **Correção de atribuição.** A página do Projetão credita o AEIOU a Rick Robinson, nos anos 1990, a partir da análise de horas de vídeo numa rede de lanchonetes. A atribuição completa é **Rick Robinson, Ilya Prokopoff, John Cain e Julie Pokorny, no Doblin Group, em Chicago, em 1991**; Robinson depois levou o framework para a E-Lab, onde apareceu em material de divulgação no fim dos anos 1990. Vale citar assim num trabalho acadêmico.
>
> Nota de tradução: o **E** original é *Environments* — **ambientes**, não apenas "espaço". A diferença importa: ambiente inclui atmosfera e função, não só a planta física.

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## 4. Estruturada ou semiestruturada?

Observação é habilidade fundamental de pesquisa: olhar atento e registro sistemático de fenômenos — pessoas, artefatos, ambientes, eventos, comportamentos e interações. Os métodos se caracterizam pelo **grau de formalidade**.

**Semiestruturada (ou casual)** — típica da fase exploratória. A intenção é coletar informação de base por imersão, sobretudo em território novo para você. Pode haver um conjunto de perguntas-guia, mas se observa com mente aberta, e **desvios do plano são permitidos** diante do inesperado. Apesar da informalidade, deve ser sistemática, cuidadosa e bem documentada — notas, esboços, fotos, vídeo bruto.

**Estruturada (ou sistemática)** — formalizada pelo grau de pré-estrutura: planilhas, checklists ou formulários para codificar comportamentos e eventos. Ideal quando os elementos-alvo já estão bem definidos, tipicamente por uma observação semiestruturada anterior. Exemplos de pré-estrutura: intervalos regulares de tempo, categorias predeterminadas de interação, contagem de acertos e erros.

**Para a Q1: comece semiestruturada.** Você não sabe o que procura — e não deve saber.

### Dois cuidados que valem a nota

**1. Evite achar o que você foi procurar.** É a tendência natural quando há categorias prontas. A recomendação é **sempre incluir uma categoria "outros"** na sua grade. O que cai em "outros" costuma ser o achado.

**2. Separe fato de inferência.** As observações devem diferenciar **comportamentos factuais testemunhados** de **inferências** — a especulação sobre significado e motivação por trás das ações. As inferências podem ser verificadas por pergunta ao participante durante ou após a observação.

Na prática, use duas colunas:

| Vi | Infiro |
|---|---|
| Três pessoas revezaram o mesmo banco em 20 min | Falta assento no horário de pico |
| Moça anota pedido num caderno e depois digita no sistema | O sistema não funciona no salão |

A coluna da esquerda é dado. A da direita é hipótese — e cada linha dela é uma pergunta a fazer antes de ir embora.

---

## 5. Qual método escolher

Deixe a **adequação à situação e à pergunta de pesquisa** guiar. Um roteiro rápido para a Q1:

| Sua situação | Método |
|---|---|
| Primeira visita, não sei o que procuro | Mosca-na-parede, semiestruturada, com AEIOU na mão |
| Já mapeei o terreno, quero entender o porquê | Indagação contextual (mestre/aprendiz) |
| A atividade só se entende fazendo | Observação participante marginal |
| Tema íntimo, sensível ou constrangedor | Sondas culturais / caderno de sensibilização |
| Preciso comparar dois locais com o mesmo critério | Observação estruturada, com grade fixa e categoria "outros" |

---

## 6. Checklist da ida a campo

**Levar**
- [ ] Grade AEIOU impressa, com espaço para "outros"
- [ ] Duas colunas para *vi* e *infiro*
- [ ] Combinado de quem observa e quem registra
- [ ] O que você **espera** encontrar, escrito antes

**No local**
- [ ] Fiquei tempo suficiente para o lugar me ignorar
- [ ] Olhei para os papéis periféricos, não só para os protagonistas
- [ ] Checei pelo menos três interpretações com quem estava lá
- [ ] Anotei o que me surpreendeu

**Ao sair**
- [ ] Descarreguei tudo antes de dormir
- [ ] Marquei quais linhas são fato e quais são hipótese
- [ ] Listei as pessoas que valeria entrevistar na Q2

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## Fontes

- **Hanington & Martin**, *Universal Methods of Design* — métodos 02 (AEIOU), 20 (Contextual Inquiry), 24 (Cultural Probes), 42 (Fly-on-the-Wall), 57 (Observation), 59 (Participant Observation)
- **Holtzblatt & Beyer**, *Contextual Design* e **Holtzblatt, Wendell & Wood**, *Rapid Contextual Design* — os quatro princípios da indagação contextual
- **Zeisel, John**, *Inquiry by Design* — as posturas do observador
- **Gaver, Dunne & Pacenti**, "Cultural Probes", *interactions*, 1999 — a origem das sondas
- **Landsberger**, *Hawthorne Revisited*, Cornell, 1958 — o efeito Hawthorne
- **IDEO**, *HCD Toolkit* (pt-BR) — a fase Ouvir

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<!-- referencias/ods.md -->

# ODS — enquadrar a temática sem forçar

## O que são

Em setembro de 2015 os 193 países membros das Nações Unidas adotaram a **Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável**. O lema é *não deixar ninguém para trás*.

Foram estabelecidos **17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)** com **169 metas**, a serem alcançadas por ação conjunta entre níveis de governo, organizações, empresas e sociedade — nos âmbitos internacional, nacional e local.

## Por que o Projetão pede isso na semana 1

Não é ornamento burocrático. O enquadramento força, logo na primeira quest, a pergunta que a Q2 vai cobrar com evidência:

> **Isso importa para quem, além de mim?**

Um tema que não encaixa em nenhum ODS sem violência provavelmente é um interesse pessoal, não uma oportunidade de inovação. E um tema que encaixa em nove ODS provavelmente está formulado de forma vaga demais para ser trabalhado.

## Os 17

| # | Objetivo |
|---|---|
| 1 | Erradicação da pobreza |
| 2 | Fome zero e agricultura sustentável |
| 3 | Saúde e bem-estar |
| 4 | Educação de qualidade |
| 5 | Igualdade de gênero |
| 6 | Água potável e saneamento |
| 7 | Energia limpa e acessível |
| 8 | Trabalho decente e crescimento econômico |
| 9 | Indústria, inovação e infraestrutura |
| 10 | Redução das desigualdades |
| 11 | Cidades e comunidades sustentáveis |
| 12 | Consumo e produção responsáveis |
| 13 | Ação contra a mudança global do clima |
| 14 | Vida na água |
| 15 | Vida terrestre |
| 16 | Paz, justiça e instituições eficazes |
| 17 | Parcerias e meios de implementação |

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## Como enquadrar bem

### O teste do encaixe frouxo

Quase qualquer projeto pode ser encaixado no **ODS 8** (trabalho decente e crescimento econômico) ou no **ODS 9** (indústria, inovação e infraestrutura) — porque quase tudo gera alguma atividade econômica ou envolve alguma tecnologia.

**Se o seu enquadramento serviria igualmente bem para o projeto de qualquer outra equipe, ele não está dizendo nada.**

Teste rápido: leia sua justificativa de ODS substituindo o seu tema pelo tema de outro grupo. Se continua fazendo sentido, refaça.

### Desça para a meta, não pare no objetivo

Cada ODS tem metas numeradas (169 no total). Citar "ODS 3 — Saúde e bem-estar" é genérico. Citar a meta específica, com o número, mostra que você foi ler.

O salto de qualidade é este:

| Nível | Como aparece |
|---|---|
| Fraco | "Nosso tema se relaciona com o ODS 3, saúde e bem-estar." |
| Bom | "ODS 3, meta 3.4 — reduzir por prevenção e tratamento a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis, e promover saúde mental e bem-estar." |
| Forte | O acima, mais o dado nacional ou local que mostra o tamanho da lacuna naquela meta específica. |

### Um principal, dois secundários

Problema real quase sempre toca mais de um objetivo. Mas escolha **um principal** — aquele em que a sua intervenção teria efeito direto — e no máximo dois secundários, onde o efeito é indireto.

Listar sete ODS não demonstra abrangência; demonstra que você não decidiu.

### Cuidado com a direção da seta

Erro comum: enquadrar pelo **efeito colateral desejado** em vez do **problema observado**.

> "Nosso app de caronas se enquadra no ODS 13, ação contra a mudança do clima."

Talvez. Mas se o que você observou em campo foi gente perdendo duas horas por dia no trânsito, o ODS que descreve o problema é o **11** (cidades e comunidades sustentáveis) — e o 13 é uma consequência possível, não a evidência. Enquadre pelo que você viu, não pelo que você espera causar.

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## Onde buscar dado

Para a pergunta 2 da entrega ("por que ela é relevante, como impacta a sociedade") você precisa de evidência externa e verificável. Fontes com dado aberto, brasileiro e citável:

- **IBGE** — demografia, domicílios, trabalho, PNAD Contínua
- **DataSUS / Ministério da Saúde** — morbidade, mortalidade, cobertura
- **INEP** — educação básica e superior, Censo Escolar
- **IPEA** — séries socioeconômicas
- **Atlas do Desenvolvimento Humano / PNUD** — recortes municipais
- **ODS Brasil (IBGE)** — indicadores nacionais organizados por objetivo e meta
- **Cetic.br / CGI.br** — TIC Domicílios, TIC Educação, acesso e uso de internet

**Regra da disciplina:** abra a fonte. Um número que você encontrou num resumo, numa notícia ou numa resposta de IA e não conferiu no original é um número que você não pode defender na banca — e a pergunta "de onde veio esse dado?" é das mais frequentes.

Se o dado que você precisa não existe, isso também é um achado: diga que não existe, diga o que existe de mais próximo, e declare a incerteza. Incerteza declarada não tira ponto.

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## Modelo de resposta

Para a pergunta 2 da entrega:

> **Temática:** [uma frase]
>
> **ODS principal:** [número e nome] · **meta [x.y]:** [texto da meta]
> **ODS secundários:** [até dois]
>
> **Por que importa:** [o problema como você o observou, em duas frases]
>
> **Evidência:** [dado, com fonte, ano e link — que você abriu]
>
> **Desafios da temática:** [o que torna isso difícil de resolver — se fosse fácil, já estaria resolvido]
>
> **O que ainda não sabemos:** [a incerteza que a Q2 vai atacar]

O último campo é o que separa uma Q1 de nível 2 de uma de nível 4. Equipe que declara o que ainda não sabe demonstra que entendeu o que observou; equipe que apresenta tudo resolvido na semana 1 não foi a campo.

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<!-- referencias/sintese-e-personas.md -->

# Síntese e personas — Quest #1

O que fazer **depois** do campo. Esta é a parte que a maioria das equipes pula, indo direto das anotações para as conclusões — e é onde a Q1 ganha ou perde a nota.

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## O problema que a síntese resolve

Enquanto o dado da pesquisa está guardado como conhecimento tácito na cabeça das pessoas, ou enterrado em transcrições de entrevista, **a equipe tem dificuldade de sintetizar o que foi observado**. Cada um lembra de uma coisa, e a discussão vira disputa de impressão.

Sem uma etapa formal de síntese, o que acontece na prática é: a pessoa mais convincente da equipe descreve o que ela achou, e isso vira a conclusão do grupo. O campo inteiro foi desperdiçado.

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## Diagrama de afinidades

Processo para **externalizar** e agrupar de forma significativa as observações e os insights da pesquisa, mantendo a equipe ancorada no dado enquanto projeta.

Cada observação, preocupação ou requisito vai para **um post-it próprio**, para que a implicação de projeto de cada um possa ser considerada isoladamente. Depois os post-its são agrupados por afinidade, formando temas baseados em pesquisa.

### O procedimento (variante da indagação contextual)

1. **Registre entre 50 e 100 observações por pessoa observada**, cada uma em seu próprio post-it.
2. **Referencie a origem** em cada post-it — de que visita, de que pessoa, de que anotação veio. Se surgir dúvida depois, você precisa poder voltar à fonte. Este passo é o que separa síntese de invenção.
3. **Cubra uma parede com papel de formato grande** e cole os post-its ali. (O papel permite mover o diagrama inteiro depois.)
4. **Interprete cada nota**, em equipe, considerando o significado subjacente de cada uma.
5. **Agrupe as que compartilham intenção, problema ou questão semelhante** — as que têm afinidade.
6. Do trabalho **emerge uma história** sobre as pessoas, suas tarefas e a natureza dos problemas delas.

O passo 6 é o teste: se ao final você não consegue contar uma história, o agrupamento foi feito por categoria óbvia (por lugar, por idade) em vez de por afinidade real.

### Regras que fazem diferença

- **Não rotule os grupos antes de formá-los.** Rótulo antecipado atrai post-its para dentro dele. Agrupe primeiro, nomeie depois.
- **Um post-it, uma ideia.** Post-it com duas afirmações não pode ser agrupado.
- **Deixe um grupo "não sei".** É onde costuma estar a coisa interessante que ainda não tem nome.
- **Faça em silêncio na primeira rodada.** Quem fala primeiro define o agrupamento dos outros.

### Origem

O diagrama de afinidades foi introduzido nos anos 1960, junto com a **Técnica KJ**, pelo antropólogo japonês **Jiro Kawakita**. A variante usada em design vem de Holtzblatt & Beyer, *Contextual Design* (1998).

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## Personas

Consolidam descrições arquetípicas de padrões de comportamento do usuário em perfis representativos, para humanizar o foco de projeto, testar cenários e ajudar na comunicação.

### Por que existem

Projetar para todo mundo resulta em solução sem foco ou incoerente, então algum grau de consolidação é necessário. Mas os dois atalhos comuns falham:

- **Pesquisa quantitativa e survey** tendem a produzir caricaturas abstratas e desumanizadas.
- **Segmentos tradicionais de mercado não funcionam**, porque descrevem **populações demográficas** em vez de **agregados de comportamento**.

Persona feita de pesquisa de campo sólida resolve isso: captura comportamentos comuns em perfis significativos e relacionáveis. A descrição humana facilita empatia e comunicação; as distinções criam alvos úteis de projeto.

> **Guarde esta frase:** persona não é demografia. "Mulher, 25–34, classe B, universitária" é segmento de mercado. Persona é padrão de comportamento.

### Como construir — a partir do dado, não da imaginação

1. Reúna informação suficiente para descrever vários usuários.
2. **Procure padrões e temas de comportamento** que constituam pontos em comum.
3. Use **diagrama de afinidades** (acima) para chegar às descrições consolidadas.
4. Agrupe as semelhanças entre usuários para formar os arquétipos agregados.

### O formato

Descrição de **uma página ou menos**, contendo:

- um **nome**
- uma **foto** — use banco de imagens, para evitar vínculo com uma identidade real
- uma **narrativa** descrevendo em detalhe os aspectos-chave da situação de vida, dos objetivos e dos comportamentos relevantes para a investigação
- opcionalmente, imagens suplementares do estilo de vida: espaços, objetos e atividades típicos

### Quantas

**A referência canônica recomenda de 3 a 5 por projeto**, para manter o foco gerenciável e evitar mirar em casos extremos.

> ⚠️ **Tensão com a orientação da disciplina — e como resolver.** A página do Projetão pede persona para **todo grupo que você conseguir identificar**, começando pelos mais relevantes e complementando com os menos visíveis. Isso parece contradizer o "3 a 5".
>
> Não contradiz, se você entender o momento. A **Q1 é divergente**: quanto mais grupos você enxergar, melhor — inclusive os que passariam despercebidos, de onde a disciplina diz que a inovação costuma nascer. A convergência para 3–5 acontece **da Q4 em diante**, quando já há uma oportunidade escolhida e o foco precisa ser gerenciável.
>
> Na prática: levante todas na Q1, e declare quais são as principais. A partir da Q4, trabalhe com 3 a 5.

### Dicas da disciplina

- **Inclua personalidade, humor, gostos e interesses.** Ajuda a entender o que o usuário quer e como ele verá o projeto.
- **Evite características depreciativas** ou que tornem a persona antipática. O objetivo é criar laço e afeição da equipe pelo usuário — nunca a sensação de que ele não merece o esforço.
- **Não use ilustração, desenho ou foto de pessoa pública.** A persona precisa presentificar o usuário, não produzir uma relação de representação ou imaginação sobre ele.

### Origem

Introduzida no design de interação por **Alan Cooper** (*The Inmates Are Running the Asylum*). Cooper começou usando gerentes de projeto e de TI reais que ele conhecia como modelos aproximados dos usuários para quem projetava. O método depois evoluiu para personas fictícias baseadas em padrões distintos de comportamento emergidos de entrevistas, cada uma capturando diferenças importantes de objetivo, tarefa e nível de habilidade.

Cooper percebeu que equipes lidando com uma ideia abstrata de "usuário" — genérico, sem rosto, distante — se preocupavam pouco com suas necessidades.

Circula no meio uma prática atribuída à IDEO — imprimir os usuários em tamanho real e fixá-los nas paredes da sala de reunião, para que ninguém decida sem eles na frente. **Não consegui localizar essa afirmação em nenhuma das obras do acervo**; trate como relato de segunda mão, não como fonte. O princípio por trás dela, esse sim documentado, é o de Cooper: equipe que lida com um usuário abstrato decide como se ele não existisse.

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## O que invalida uma persona

Cheque cada uma antes de entregar:

| Sinal | O que significa |
|---|---|
| Descreve idade, renda e escolaridade, e mais nada | É segmento de mercado, não persona |
| Você não consegue apontar de que observação ela veio | Foi inventada |
| Ela quer exatamente o que o seu projeto faz | Foi construída para justificar a solução |
| Todas as suas personas concordam entre si | Você não observou grupos diferentes, observou o mesmo grupo |
| Não tem nenhuma contradição interna | Pessoa real tem contradição; persona sem contradição é caricatura |
| Foi gerada por IA a partir do nada | Ver abaixo |

### Persona e IA — o cuidado específico

Persona é o artefato mais fácil de gerar sinteticamente e o mais inútil quando é. Um modelo generativo produz **a média estatística de textos sobre pessoas** — exatamente o oposto do que a técnica existe para produzir, que é o padrão de comportamento específico daquele grupo naquele contexto.

Se a IA ajudar a redigir, que seja **a partir das suas notas de campo**, e declare no registro de trajetória o que veio de observação e o que veio de preenchimento.

Teste rápido: peça à IA que aponte, para cada afirmação da persona, qual observação a sustenta. O que ela não conseguir ancorar, você inventou.

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## Da síntese para a entrega

O caminho completo, sem pular etapa:

```
notas de campo (fato | inferência)
        ↓
post-its, um por observação, com origem marcada
        ↓
agrupamento por afinidade  →  temas
        ↓
padrões de comportamento
        ↓
personas
        ↓
"as questões mais importantes a serem tratadas ali"
        ↓
enquadramento em ODS  →  entrega
```

Se você conseguir mostrar esse caminho na apresentação — do post-it à conclusão — a pergunta "de onde vocês tiraram isso?" já está respondida antes de ser feita.

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## Fontes

- **Hanington & Martin**, *Universal Methods of Design* — métodos 03 (Affinity Diagramming), 63 (Personas)
- **Holtzblatt & Beyer**, *Contextual Design* (Morgan Kaufmann, 1998) — a variante de afinidades para indagação contextual
- **Kawakita, Jiro**, *The Original KJ Method* (1982) — a origem
- **Cooper, Alan**, *The Inmates Are Running the Asylum* — a origem das personas; e "The Origin of Personas" (2003)
- **IDEO**, *HCD Toolkit* (pt-BR)

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<!-- tecnicas/aeiou.md -->

# AEIOU Framework

**Para quê:** categorizar e interpretar observações de campo.
**Quests:** 1, 2 · **Modo:** 🔴 sem assistência no campo, 🟡 com apoio na análise

## O que é

Um jeito estruturado de fazer e registrar observações de pessoas e suas atividades em contexto. Serve para que a observação não vire um caderno de impressões soltas.

## Origem

Criado por **Rick Robinson, Ilya Prokopoff, John Cain e Julie Pokorny**, no **Doblin Group**, em Chicago, em **1991**, a partir da análise de uma quantidade enorme de horas de gravação das interações de pessoas numa rede de lanchonetes — dos dois lados do balcão. Agrupar e categorizar aquele volume foi tão difícil que se criou um sistema de observação para viabilizar a análise. É esse o problema que o AEIOU resolve: **volume de observação sem estrutura é inanalisável.**

⚠️ **Correção ao material do site.** A página da disciplina credita o método apenas a Rick Robinson, nos anos 1990. A atribuição completa é a acima (Hanington & Martin, *Universal Methods of Design*).

## As cinco categorias

| | | Perguntas |
|---|---|---|
| **A** | Atividades | Quais as ações e comportamentos das pessoas? Quais seus objetivos? |
| **E** | Ambientes | Em que ambiente acontecem? As atividades são adequadas àquele espaço, ou estão fora de contexto? |
| **I** | Interações | Que interações ocorrem entre as pessoas para que atinjam seus objetivos? Que efeitos as atividades e o espaço produzem nelas? |
| **O** | Objetos | O que constitui o ambiente? Que objetos são usados e amparam pessoas, atividades e interações? |
| **U** | Usuários | Quem são as pessoas observadas? Como é sua personalidade? Como lidam com quem está em volta? |

## Como aplicar

Monte uma tabela de cinco campos e anote em cada um o que observar, conforme a categoria. Ao fim da observação os dados já saem razoavelmente estruturados para análise.

**Na prática:** leve a tabela impressa ou no celular e preencha *durante*, não depois. O campo E costuma ser o mais abandonado e é o que mais rende — objeto fora de lugar e atividade em espaço inadequado são pistas fortes de gambiarra.

O que for levantado em **U** alimenta diretamente as `personas.md`.

## Erro comum

Preencher as cinco colunas com conclusões em vez de observações. "Ambiente mal projetado" vai na sua análise, não na tabela. Na tabela vai "quatro pessoas em pé, três cadeiras vazias do outro lado da sala".

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## Fontes

- **Hanington & Martin**, *Universal Methods of Design* — origem, autoria completa e as cinco categorias (o **E** original é *Environments*)
- Página `tecnicas/aeiou` do site da disciplina — o relato da rede de lanchonetes e as perguntas de cada categoria
- Ver **Observação de campo — Quest #1** (`../quests/q01-tematicas/referencias/observacao-de-campo.md`) para posturas de observação, indagação contextual e efeito Hawthorne

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<!-- tecnicas/personas.md -->

# Personas

**Para quê:** tornar o usuário tangível para a equipe.
**Quests:** 1, 2, 3 — e de novo em 6 e 10, como recurso narrativo · **Modo:** 🟡 com apoio

## O que é

Representação dos usuários do projeto: um arquétipo, um personagem que sintetiza quem é o usuário — fruto da observação e da identificação de características e valores de quem vai usufruir do projeto. Elenca características, atividades, motivações, relações, opiniões, desejos e interesses, de modo que se pareça com uma pessoa real.

## Origem

Técnica criada por **Alan Cooper** (*About Face*, *The Inmates Are Running the Asylum*). A intenção era tornar o usuário final uma figura próxima e tangível para a equipe de desenvolvimento: Cooper percebeu que equipes lidando com uma ideia abstrata de "usuário" — genérico, sem rosto, distante — se preocupavam pouco com suas necessidades e davam pouca atenção a como ele se sentiria usando o produto.

Criar uma persona produz identificação entre projetistas e usuários, e isso aproxima — sobretudo no que diz respeito a entender como o usuário deseja que o produto seja e se comporte.

## Como construir

Não há forma certa ou errada. Em geral: uma **foto**, um **nome**, idade, profissão e informações demográficas; e os interesses e relações que essa pessoa estabeleceria com o projeto.

A página da disciplina relata que **na IDEO se imprimem usuários de corpo inteiro em dimensões reais e se fixam as imagens nas paredes das salas de reunião**, como se estivessem ali de pé, participando de cada decisão. ⚠️ A fonte é a própria página `tecnicas/Personas`; a prática **não consta de nenhum livro do acervo**, então trate como relato da disciplina, não como estudo. O princípio por trás dela é o que importa e esse se sustenta: a persona só serve se estiver **visível durante a decisão** — guardada num anexo, não muda nada.

## Dicas da disciplina

- **Inclua personalidade, humor, gostos e interesses.** Ajuda a entender o que o usuário quer e como ele verá o projeto.
- **Evite características depreciativas** ou que tornem a persona antipática. O objetivo é criar laço e afeição da equipe pelo usuário — nunca a sensação de que ele não merece o esforço.
- **Não use ilustração, desenho ou foto de pessoa pública.** A persona precisa presentificar o usuário, não produzir uma relação de representação ou imaginação sobre ele. Você deve sentir que ele existe e é aquele ali na foto.
- O diagrama não precisa ser sofisticado para funcionar — mas enriquecê-lo com informação que faz diferença no projeto o torna mais útil.

## Cuidado na era da IA

Persona é o artefato mais fácil de gerar sinteticamente e o mais inútil quando é. Uma persona inventada por modelo generativo é a média estatística de textos sobre pessoas — exatamente o oposto do que a técnica existe para produzir.

Se a IA ajudar a redigir, que seja **a partir das suas notas de campo**. E declare no registro de trajetória o que veio de observação e o que veio de preenchimento.

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## Fontes

- **Hanington & Martin**, *Universal Methods of Design* — persona construída a partir de dado, e o que a invalida
- **IDEO**, *HCD Toolkit* (pt-BR) — a fase *Ouvir* e a síntese que antecede a persona (o Toolkit não usa o termo "persona")
- Página `tecnicas/Personas` do site da disciplina — o formato e as dicas
- ⚠️ O relato sobre a IDEO vem da página `tecnicas/Personas` da disciplina, não de livro do acervo

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<!-- tecnicas/mapa-empatia.md -->

# Mapa de Empatia

**Para quê:** registrar o ponto de vista de quem atribui sentidos diferentes dos seus.
**Quests:** 1, 2, 3 · **Modo:** 🟡 com apoio

## O que é

Diagrama para registrar e entender o ponto de vista das pessoas para as quais se projeta — pessoas que atribuem **valores** e sentidos diferentes dos de quem projeta.

## Em que se baseia

Nos princípios de **empatia** e **alteridade**. São diagramas usados por antropólogos em estudos etnográficos, na tentativa de mapear a origem dos sentidos que as pessoas observadas atribuem às coisas.

Nas atividades de projeto isso se chama **escuta altruísta**: considerar tanto a alteridade — a diferença entre as pessoas, e entre o ponto de vista do projetista e o dos usuários — quanto se colocar no lugar delas para entender seus valores.

## Como preencher

| Região | O que vai ali |
|---|---|
| **Superior** | O que o usuário **pensa e sente** sobre o assunto |
| **Direita** | O que ele **vê** |
| **Esquerda** | O que ele **ouve** a respeito |
| **Inferior** | O que ele **fala e faz** |
| **Canto inferior esquerdo** | **Dores** — o que o incomoda |
| **Canto inferior direito** | **Necessidades e desejos** |

Templates disponíveis em SVG, Miro e Figma no site da disciplina.

## Onde ele rende mais

Na **divergência entre quadrantes**. Quando o que a pessoa *fala* não bate com o que ela *faz*, ou quando o que ela *ouve* contradiz o que ela *vê*, há uma tensão — e tensão é onde mora oportunidade. Mapa em que tudo é coerente costuma ser mapa preenchido de cabeça.

Um mapa por persona. Mapa de "o usuário" em geral não serve para nada.

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## Fontes

- Página `tecnicas/EmpathyMap` do site da disciplina — os princípios de empatia e alteridade, e a **escuta altruísta**
- **XPLANE** — o mapa de empatia é ferramenta dessa consultoria; **Osterwalder & Pigneur** o reproduzem em *Business Model Generation* creditando-a explicitamente ("a tool developed by visual thinking company XPLANE"), e não o reivindicam
- ⚠️ O formato de quadrantes usado nesta ficha é o da página do site, não o de Osterwalder (que organiza em seis perguntas numeradas)
- ⚠️ O **HCD Toolkit** da IDEO ensina a escutar, e é a leitura complementar natural — mas **não traz mapa de empatia**; a expressão não aparece nele

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<!-- tecnicas/jornada.md -->

# Jornada do Usuário

**Para quê:** mapear o que acontece com o usuário ao longo de um período.
**Quests:** 1, 2, 4 (jornada atual) e 6 (jornada nova) · **Modo:** 🟡 com apoio

## O que é

Mapeamento do que acontece com o usuário ao longo de um período — as etapas, os pontos de contato, o que ele faz, sente e encontra pelo caminho.

## As duas jornadas do Projetão

A disciplina pede a mesma técnica em dois momentos, com propósitos opostos:

**Jornada atual (Q4)** — passo a passo de como ele resolve o problema **hoje**, sem a sua solução. É diagnóstico. Se ela estiver bonita demais, você não observou: jornada real tem espera, retrabalho e gambiarra.

**Jornada nova (Q6)** — como a persona resolve o problema **usando o que vocês propõem**. É projeto. E é o teste mais honesto do MVP: se você não consegue descrever passo a passo, a solução ainda está vaga.

Colocar as duas lado a lado é o slide mais eficiente do pitch da Q10.

## Como montar

1. Defina o recorte temporal — do gatilho até a resolução (ou a desistência).
2. Liste as etapas em ordem, na linguagem do usuário.
3. Para cada etapa: o que ele faz, com quem/o quê interage, quanto tempo leva, o que sente.
4. Marque os **pontos de dor** e os **momentos de decisão** (onde ele poderia desistir ou escolher outra coisa).
5. Some o tempo total. O número costuma surpreender e é ótimo material de pitch.

## Erro comum

Mapear a jornada dentro do seu produto em vez da jornada do problema. A jornada começa antes de o usuário saber que você existe, e frequentemente termina depois que ele fecha o app.

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## Fontes

- **Stickdorn & Schneider**, *This Is Service Design Thinking* — jornada do usuário e pontos de contato
- **Hanington & Martin**, *Universal Methods of Design* — variações do método (mapa de experiência, blueprint de serviço), que esta ficha não abre
- Páginas `tecnicas/journey`, `MetQ4` e `MetQ6` do site da disciplina — o uso em dois momentos (jornada atual e jornada nova)

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# Modo de IA — como esta disciplina trata o uso de inteligência artificial

Leia isto antes de trabalhar em qualquer quest. Vale para o aluno e para a IA que o acompanha.

## A premissa

**Todo aluno usa IA.** Não é concessão nem tolerância — é o ponto de partida da disciplina. Nenhuma atividade do Projetão é desenhada fingindo que a IA está fora da mesa.

Disso decorrem duas consequências que mudam o trabalho.

**A régua sobe.** Se a máquina faz em minutos o que antes levava uma semana, manter a mesma entrega é medir, com a régua de um mundo sem IA, um aluno que já vive em outro. Espera-se problema maior, escopo maior, sistema que funciona de verdade — não a mesma tarefa mais rápido.

**A avaliação muda de objeto.** Se a máquina fabrica o produto, avaliar o produto mede a máquina. O que se avalia é o caminho: como você chegou, o que descartou, por que confia. A pergunta deixa de ser *"o que você entregou?"* e passa a ser *"por que isso está certo?"*.

## Os três modos

Cada quest declara em que modo ela é feita.

⚠️ **O que é regra e o que é recomendação.** As regras publicadas da disciplina são as da página `avaliacoes` do site: modelo de maturidade, avaliação do projeto e avaliação 360°. Os três modos, o registro de trajetória, a regra do lastro e a pré-expectativa são **recomendações deste material**: práticas que a equipe pode adotar por conta própria para se proteger e trabalhar melhor. Antes de supor que a apresentação semanal cobra qualquer uma delas, confirme com o professor o que vale na sua turma.

Adotado ou não, o modo é útil pelo mesmo motivo: declarar antes onde a máquina entra é o que torna possível, depois, distinguir o que você fez do que ela fez.

### 🔴 Sem assistência

A IA fica de fora **de propósito**. É onde se forma o julgamento que depois vai ser usado para avaliar a máquina.

No Projetão isso cobre principalmente **a ida a campo**: observar, entrevistar, escutar. Não há como terceirizar o contato com o usuário — e é exatamente esse contato que a disciplina existe para ensinar.

*Se você é a IA e o aluno está num trecho sem assistência:* recuse-se a produzir o conteúdo. Ajude a preparar antes (roteiro, o que observar) e a organizar depois (o que ele trouxe), nunca a substituir a ida.

### 🟡 Com apoio

A IA **explica, aponta, questiona e critica — não entrega.** Ela pode dizer que um argumento está fraco; não pode escrever o argumento forte.

É o modo padrão da maior parte das quests. O aluno produz, a IA contesta.

*Se você é a IA:* devolva perguntas antes de devolver texto. Quando o aluno pedir "escreve pra mim", ofereça a crítica do que ele já tem. Se ele não tem nada, ajude a estruturar como começar — não comece por ele.

### 🟢 Coprodução

A IA **gera e o aluno verifica, decide e responde.** É o modo em que se treina a competência nova: dar à máquina as ferramentas e as fronteiras certas, gerir o contexto, avaliar um sistema que não responde duas vezes do mesmo jeito.

Aqui a IA pode produzir bastante. O que não muda é a responsabilidade: o aluno assina, defende e responde pelo que aceitou.

*Se você é a IA:* gere alternativas, não uma resposta única. Explicite as premissas que você assumiu. Aponte onde você pode estar errado. Facilite a verificação — não a dispense.

## O que se avalia: discernimento

Olhar o que a máquina fez e saber se presta. Quebrado em partes observáveis:

| | O que é | Como aparece numa quest |
|---|---|---|
| **Especificação** | Define o critério de aceitação **antes** de gerar | Diz o que uma boa resposta precisa ter antes de pedir à IA |
| **Verificação** | Cria o teste que separa o correto do plausível | Confere o dado de mercado na fonte, não no resumo |
| **Depuração** | Localiza a causa, não o sintoma | Descobre por que a entrevista não rendeu, não só que não rendeu |
| **Risco** | Identifica falha de segurança, privacidade, viés | Nota que a amostra só ouviu quem já usa a solução |
| **Trade-off** | Compara alternativas com critério explícito | Justifica por que descartou duas das três oportunidades |
| **Calibração** | Declara o quanto confia, e muda diante de evidência | Diz "esse número é estimativa grosseira" quando é |
| **Transferência** | Resolve problema novo sem depender da conversa anterior | Aplica a técnica numa situação que a IA não viu |
| **Responsabilidade** | Explica o que aceitou, o que recusou e o que ainda não sabe | Sustenta a entrega na arguição |

## O registro de trajetória

Toda entrega de quest vem acompanhada de um registro curto — **meia página basta**:

1. **Modo** em que a quest foi feita, e onde você saiu dele (se saiu).
2. **O que a IA gerou e você descartou** — e por quê. Este é o item mais informativo dos quatro.
3. **O que você verificou** e como. Que afirmação você foi conferir na fonte?
4. **O que ainda não sabe.** Incerteza declarada não tira ponto; incerteza escondida, sim.

Não é burocracia de controle. É o material sobre o qual a nota é formada — e o único jeito de o mérito do aluno aparecer quando o artefato poderia ter saído de qualquer lugar.

## O que a disciplina não faz

- **Não usa escore de detector de IA como prova.** Detectores erram de forma desigual: num teste com redações do **TOEFL** escritas por humanos, sete detectores classificaram como geradas por IA **61%** das redações de quem não é falante nativo de inglês, contra **5%** das de nativos (Liang, Yuksekgonul, Mao, Wu & Zou, *GPT detectors are biased against non-native English writers*, arXiv:2304.02819, 2023 — publicado em *Patterns*). ⚠️ O estudo mede texto em inglês; não há medida equivalente para português, e um contra-estudo do ETS com detectores mais recentes encontra viés menor (Jiang, Bosch, Attali & LaFlair, *Do AI detectors discriminate against non-native English writers?*, ETS Research, 2024). O ponto que sustenta a decisão não depende do número exato: **detector produz suspeita, não prova**, e o erro não se distribui por igual.
- **Não trata declaração de não-uso como mecanismo de controle.** Além de não ser cumprida pela maioria, expõe justamente quem declara com honestidade.

O que substitui os dois é mais trabalhoso e é o que forma: avaliar o processo e o raciocínio.

## Duas obrigações que valem nos dois sentidos

**Acesso.** Assumir que todo aluno usa IA e deixar cada um arcar sozinho com a ferramenta converteria capacidade de pagamento em desempenho. A disciplina se compromete a viabilizar acesso por modelos gratuitos, quotas e parcerias. Se você está sem acesso, isso é problema da disciplina, não seu — avise.

**Custo.** Use o modelo adequado à tarefa, não o maior por reflexo, e declare a escolha quando ela for relevante. Formar alguém para usar bem uma tecnologia inclui formá-lo para perguntar quanto ela custa — e não apenas em dinheiro.

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*Baseado no manifesto do Porto Digital sobre formação em tecnologia na era da IA (Residência Tecnológica, 2026). A adoção no Projetão está em curso: o que funcionar e o que não funcionar será medido e publicado.*

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# Consentimento e dados de terceiros

Este material manda você fotografar pessoas em campo, gravar entrevistas, gravar tela de teste de usabilidade e registrar nome e contato de quem foi ouvido. Tudo isso é **dado de outra pessoa**. Ela não é sua colega de equipe nem parte do projeto: ela cedeu meia hora do dia dela.

O que segue é o mínimo para que a coleta seja honesta. Não é assessoria jurídica, e não substitui o que o professor ou o comitê de ética da instituição determinar. Se o seu projeto envolve **saúde, crianças e adolescentes, população em situação de vulnerabilidade, dados de pessoas identificáveis em contexto sensível ou qualquer forma de dado que possa expor alguém**, pare aqui e pergunte ao professor antes de ir a campo.

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## A regra curta

**Pergunte antes, em voz alta, e aceite o não.**

Três frases, ditas no começo da conversa, resolvem a maior parte dos casos:

> "Sou aluno da UFPE, estou fazendo um trabalho de disciplina sobre *[tema]*. Posso te fazer umas perguntas por uns 20 minutos?"
>
> "Posso gravar só o áudio, para eu não perder nada? Fica com a minha equipe e com o professor da disciplina, que confere o trabalho; ninguém mais ouve, e eu apago no fim do semestre."
>
> "Se em algum momento você quiser parar, ou quiser que eu tire alguma coisa, é só falar."

Se a pessoa hesitar na segunda, **não grave** — anote. Uma entrevista anotada vale mais que uma gravação que a pessoa cedeu constrangida.

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## O que muda conforme o registro

| Registro | O que fazer |
|---|---|
| **Anotação escrita** | Avise que está anotando. Não registre nome completo se não precisar dele. |
| **Áudio** | Peça na hora, com a gravação **ainda desligada**. Comece a gravação pedindo de novo, agora gravado: assim o consentimento fica no próprio arquivo. |
| **Foto de pessoa identificável** | Peça. Se for espaço público e a pessoa não é o assunto (multidão, movimento do lugar), enquadre de modo que ela não seja identificável. |
| **Foto de lugar, objeto, fila, cartaz** | Livre, desde que não capture rosto, documento nem tela com dado de alguém. |
| **Foto de gambiarra** | **Peça.** Gambiarra quase sempre documenta alguém contornando uma regra do próprio trabalho — o exemplo canônico da disciplina é discutir caso clínico por WhatsApp. A pessoa é identificável pelo contexto mesmo sem aparecer, e a foto pode custar o emprego dela. Fotografe só com permissão, e descreva sem nomear o local se houver qualquer risco. |
| **Vídeo ou gravação de tela em teste de usabilidade** | Peça explicitamente e diga o que vai ser gravado (a tela e a voz, não o rosto — é o padrão, e basta). |
| **Nome e contato** | Só colete se você **vai** usar: para voltar a falar com a pessoa, ou para o professor conferir. Guarde separado das respostas. |

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## Observação em espaço público

Observar o movimento de uma praça, de uma fila, de um ginásio não exige pedir permissão a cada pessoa — mas exige três cuidados:

1. **Não registre rosto, placa, crachá, documento ou tela alheia** sem pedir.
2. **Se alguém perguntar o que você está fazendo, responda a verdade.** Você é aluno, está fazendo um trabalho, e vai embora. Observador que se esconde perde o direito de estar ali.
3. **Se o lugar tem dono ou responsável** — comércio, escola, posto de saúde, empresa —, apresente-se a ele antes. Entrar sem avisar e depois ser descoberto queima o campo para você e para as próximas turmas.

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## Campo virtual

A Q1 diz que **espaço virtual conta**, e boa parte das técnicas tem versão à distância. As regras mudam:

| Situação | O que fazer |
|---|---|
| **Observar comunidade online** (grupo, fórum, comentários) | Ler é uma coisa; **reproduzir** é outra. Não cole print com nome de usuário, foto de perfil ou texto que identifique alguém. Parafraseie, ou peça autorização à pessoa. Grupo fechado não é espaço público: entrar para pesquisar sem dizer a que veio é o mesmo que observar escondido. |
| **Chamada de vídeo** | Peça para gravar **antes** de apertar o botão, e de novo já gravando. Diga se o rosto entra ou só a voz. Ferramenta que transcreve sozinha também é gravação: avise. |
| **Teste de usabilidade remoto** | Grave tela e voz, não a câmera. Lembre a pessoa de fechar aba, notificação e qualquer coisa pessoal antes de compartilhar a tela — a responsabilidade de avisar é sua. |
| **Formulário** | Não peça dado que você não vai usar. Se pedir e-mail ou telefone, diga para quê, e não torne obrigatório. |
| **Print de conversa** (WhatsApp, chat) | É dado de duas pessoas, não de uma. Peça às duas, ou tarje. |

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## A pessoa pode mudar de ideia depois

Consentimento não é assinatura que encerra o assunto. Se a pessoa procurar você depois da conversa e pedir para retirar o que disse, ou apagar a gravação, **atenda** — mesmo que já esteja na entrega. Diga isso a ela no começo:

> "Se depois você quiser que eu tire alguma coisa, me avisa que eu tiro."

Guarde um jeito de encontrar o material dela: se você não sabe qual gravação é de quem, não consegue cumprir a promessa.

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## E a lei

No Brasil vale a **LGPD** (Lei 13.709/2018). Você não precisa virar especialista, mas três noções mudam decisões concretas:

- **Dado pessoal** é o que identifica alguém — nome, telefone, e-mail, imagem, voz, e também o que identifica **por combinação** ("o enfermeiro do turno da noite daquele posto").
- **Dado sensível** — saúde, origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação sindical, vida sexual, biometria — tem regra mais estrita. Se o seu projeto encosta nisso, fale com o professor **antes** de coletar.
- **Finalidade e prazo:** você coleta para o trabalho da disciplina, e apaga no fim do semestre. Usar depois para outra coisa — um artigo, uma startup, um portfólio — é outra finalidade e exige pedir de novo.

⚠️ Isto é orientação de bolso, não parecer jurídico. Em dúvida, pergunte ao professor.

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## Quem não pode consentir sozinho

- **Menores de 18 anos:** o consentimento é de quem responde por eles. Se o seu projeto é sobre adolescentes, isso não é detalhe de execução — é uma restrição de escopo que muda o cronograma. Fale com o professor **antes da Q1**.
- **Pessoa em situação de dependência em relação a você** (seu funcionário, seu aluno, alguém que espera algo de você): o "sim" dela não é livre. Procure outra pessoa.
- **Pessoa que não entendeu o que você pediu.** Se você não conseguiu explicar em duas frases o que vai fazer com o material, o problema é seu, não dela.

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## Enquanto o material existe

- **Guarde no lugar da equipe, não no seu celular pessoal** — e num lugar em que quem saiu da equipe deixa de ter acesso.
- **Não publique bruto.** Nem no repositório do projeto, nem no slide do Demoday, nem no grupo da turma. Na apresentação vai o **achado**, não a gravação; se for indispensável mostrar um trecho, peça de novo à pessoa, especificamente para isso.
- **Anonimize na entrega.** "Jorge, 53 anos, usuário do parque" é persona. "Jorge Silva, (81) 9xxxx-xxxx, mora na rua tal" é dado pessoal e não entra em documento que circula.
- **Apague no fim do semestre.** Diga isso à pessoa no começo, e depois cumpra.

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## O que a IA não faz aqui

Este é um ponto em que a máquina não ajuda, e tentar usá-la piora:

- **Não peça à IA que invente a fala de um entrevistado**, nem para "completar" uma entrevista curta. Se você tem cinco minutos de conversa e precisa de vinte, volte a campo.
- **Não cole gravação nem transcrição com nome, contato ou dado de saúde de terceiro** numa ferramenta de IA sem saber o que ela faz com aquilo. Anonimize antes: troque nomes por iniciais, tire telefone e endereço.
- **Transcrever e organizar o que a pessoa disse** é uso legítimo (🟡 com apoio). **Escrever o que ela teria dito** não é uso: é invenção de evidência, e é o erro que mais desqualifica um projeto.

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## O teste de uma frase

Antes de registrar qualquer coisa, pergunte-se:

> **Se essa pessoa visse depois o que eu guardei, e onde guardei, ela se sentiria enganada?**

Se a resposta for "talvez", peça de novo — agora explicando a parte que você não explicou.

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## Fontes

- **IDEO**, *HCD Toolkit* (pt-BR) — a fase *Ouvir*: apresentar-se, explicar o propósito e pedir permissão antes de registrar
- **Holtzblatt, Wendell & Wood**, *Rapid Contextual Design* — o acordo explícito com o participante no começo da sessão de indagação contextual
- **Steve Krug**, *Não me faça pensar* / *Rocket Surgery Made Easy* — a prática de gravar tela e voz, não rosto, e de avisar o participante do que está sendo gravado. Krug vai além e prescreve um **formulário de autorização de gravação, assinado antes da sessão**; num trabalho de disciplina o pedido verbal gravado costuma bastar, mas se a sessão vai ser gravada em vídeo, ou o material pode sair da equipe, use o formulário
- **Lei 13.709/2018 (LGPD)** — as noções de dado pessoal, dado sensível, finalidade e prazo
- ⚠️ O restante deste arquivo é **orientação da disciplina**, não regra publicada no site do Projetão nem parecer jurídico. Em projeto que envolva população vulnerável ou dado sensível, a palavra final é do professor e do comitê de ética da instituição.

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# Avaliação — como o Projetão mede um projeto

Quatro instrumentos rodam em paralelo: o **modelo de maturidade** (semanal, diagnóstico), a **avaliação do projeto** (final, nota), a **avaliação 360°** (dos pares, ajuste individual) e o **registro de trajetória** (semanal, o que separa o aluno da máquina).

⚠️ **Três são regra; o quarto é recomendação.** Modelo de maturidade, avaliação do projeto e avaliação 360° são o que a página `avaliacoes` do site da disciplina descreve. O **registro de trajetória** — e com ele a **regra do lastro** e a **pré-expectativa**, mais abaixo — é recomendação deste material, não regra publicada. Nada aqui substitui o enunciado do professor: se ele não pediu, não é exigência. Está aqui porque o problema que ele resolve é real, e porque a equipe que o adota sozinha se protege:

O quarto existe por um motivo declarado:

> **Se a máquina fabrica o produto, avaliar o produto mede a máquina.**

Os três primeiros instrumentos avaliam o **artefato**. Sozinhos, eles medem cada vez menos o aluno — e essa é a razão de o quarto existir. Ver `modo-ia.md`.

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## 1. Modelo de maturidade — 13 milestones, escala 0–5

Acompanhado **semanalmente**. Não gera nota: gera diagnóstico. Serve para a equipe saber onde está frágil enquanto ainda dá tempo de consertar.

**Aprovação exige nível 4 em todos os 13.** Um projeto com doze cincos e um dois não está pronto.

### A escala

| Nível | Significado |
|---|---|
| **0** | O critério ainda não aparece no projeto. |
| **1** | Já aparece, mas sem clareza nem coerência. Normal na primeira vez que o tema é tocado. |
| **2** | Falta clareza **ou** falta coerência com o resto. A resposta ainda está no terreno da insegurança. |
| **3** | Coerente, mas ainda não totalmente claro. Há amadurecimento, resta uma parcela de incerteza. |
| **4** | Claro e coerente com toda a proposta. Ainda cabe aperfeiçoar, mas a equipe responde com segurança. |
| **5** | Perfeitamente alinhado ao conjunto. As respostas às questões de projeto são sólidas. |

O salto que trava a maioria das equipes é o **3 → 4**: sair de "faz sentido" para "eu sustento isso sob pergunta". Quase sempre o que falta não é redação — é evidência de campo.

> ⚠️ **A escala tem um ponto cego, e ele piora com IA.** Do 3 para cima, a diferença entre os níveis é descrita em termos de *clareza*, *coerência* e *segurança na resposta* — exatamente as qualidades que um texto bem gerado exibe sem que nenhum trabalho tenha sido feito. Um nível 5 escrito por máquina é mais elegante que um nível 4 escrito por quem foi a campo e voltou confuso.
>
> **Por isso, do 4 para cima o nível exige artefato, não redação.** Ver a regra do lastro, logo abaixo.

### A regra do lastro

⚠️ *Recomendação deste material — não é regra publicada da disciplina. Ver o aviso no topo.*

Para pontuar **4 ou 5** em qualquer milestone, a equipe precisa apresentar, junto com a resposta, **pelo menos um artefato de trabalho** — algo que existe porque o trabalho foi feito, e que não seria produzido por quem apenas escreveu bem sobre ele.

| Vale como lastro | Não vale |
|---|---|
| Foto do campo, com data | Descrição do que foi observado |
| Áudio ou anotação bruta de entrevista | Resumo da entrevista |
| Nome e contato de quem foi ouvido (com consentimento) | "Entrevistamos 14 pessoas" |
| Post-its ou quadro de afinidades fotografado | A conclusão do agrupamento |
| Gravação de tela do teste de usabilidade | Lista de problemas encontrados |
| Link e captura da fonte do dado, com data de acesso | O número citado |
| Registro de pré-expectativa datado (ver abaixo) | A afirmação de que houve surpresa |

⚠️ **O lastro é material de terceiros — trate-o como tal.** Foto, áudio, gravação de tela e contato pertencem a quem foi ouvido, não à equipe. Antes de coletar qualquer um deles, leia `consentimento.md`. E o lastro **não circula**: ele fica no repositório da equipe, e o professor o consulta ali, quando avalia. Não vai para o slide, não vai para o grupo da turma, não entra em documento que sai da disciplina. Quem promete "só a minha equipe e o professor" e depois publica um trecho quebrou a promessa que fez em campo.

Lastro não precisa ser bonito nem organizado. Precisa ser **anterior à conclusão** e **custoso de fabricar**.

### A pré-expectativa — o único registro que não dá para forjar depois

⚠️ *Recomendação deste material — não é regra publicada da disciplina. Ver o aviso no topo.*

Antes de ir a campo, a equipe escreve **o que espera encontrar**, e envia — com carimbo de data — para o canal da disciplina. Uma frase por item basta.

Isso custa dez minutos e resolve o problema mais difícil da avaliação: *retroativamente, qualquer um consegue escrever que foi surpreendido.* Ninguém consegue escrever, antes, uma expectativa que depois se prove errada de um jeito específico.

Na apresentação, a equipe compara o que escreveu com o que achou. **A divergência é o dado.** Equipe cuja pré-expectativa bateu 100% ou não foi a campo, ou não observou.

### Os 13 critérios

| Milestone | Do que trata | Começa na quest |
|---|---|---|
| **Usuário** | Clareza sobre quem é o usuário/consumidor potencial | Q2 |
| **Problema** | Compreensão do problema efetivo que se tenta resolver | Q3 |
| **Similares** | Profundidade sobre concorrentes, práticas e boas referências | Q3 |
| **PUV** | Identificação de um valor único a entregar, como centro da inovação | Q5 |
| **Solução** | Maturidade da proposta e de como ela resolve o problema | Q6 |
| **Prova de conceito** | Validação da solução conceitual junto ao usuário | Q6 ⚠️ |
| **MVP / Implementação** | Amadurecimento do produto mínimo que entrega os valores validados | Q6 |
| **Estratégias de tração** | Como a equipe se aproxima e constitui um grupo de usuários afoitos | Q7 |
| **Tração efetiva** | Transformação em negócio real; divulgação e promoção | Q7 |
| **Testes de usabilidade** | O que a equipe aprendeu testando, e como a solução mudou | Q8 |
| **Plano de projeto** | Organização da equipe, processo produtivo, divisão de responsabilidades | Q9 |
| **Modelo de receitas** | Custos, preço, formas de obter recursos | Q7 |
| **Pitch** | Clareza para quem não acompanhou o projeto por meses | Q10 |

> ⚠️ **Correção de numeração.** A planilha de maturidade publicada no site do Projetão foi escrita quando a disciplina tinha **9 quests**. Depois entrou a Q4 (Oportunidade Escolhida & Organização da Equipe) e tudo de Q4 em diante deslocou uma casa. A tabela acima já está **corrigida para as 10 quests atuais**. Se você comparar com a planilha original, verá as referências antigas — a diferença é essa, não é erro seu.

> ⚠️ **Um milestone mudou de lugar por decisão, não por renumeração.** A planilha original põe **Prova de conceito** na quest anterior — que, pelo deslocamento acima, seria a **Q5**. Aqui ela está na **Q6**, porque a Q6 se chama literalmente "MVP & Prova de Conceito" e é onde a validação com usuário acontece. Todos os outros doze milestones seguem o deslocamento de +1 exato; este é o único em que houve escolha. Se o seu professor cobrar a prova de conceito já na Q5, siga o professor — e saiba que a diferença é esta.

### Índices de saúde da equipe

Registrados junto com os milestones:

- **Tamanho da equipe** — quantos alunos a compõem
- **Presença** — quantos estão na apresentação
- **Engajamento** — a razão entre os dois

Engajamento é o melhor preditor isolado de projeto que termina mal. Queda sustentada nesse índice antecede, com regularidade, entrega incompleta no Demoday. Se a sua equipe está caindo, isso é um problema de projeto — não de frequência.

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## 2. Registro de trajetória — o que separa o aluno da máquina

Entregue **junto com cada quest**. Meia página. É o instrumento que responde "por que isso está certo?" em vez de "o que você entregou?".

### O que ele contém

1. **Modo de IA** em que a quest foi feita, e onde vocês saíram dele.
2. **O que a IA gerou e vocês descartaram — e por quê.**
3. **O que vocês verificaram, e como.** Que afirmação foram conferir na fonte primária?
4. **O que ainda não sabem.**

### Como ele é lido — e por que não basta escrevê-lo bem

Este registro é, sozinho, o item mais fácil de fabricar do material inteiro: descrever com elegância o erro de uma IA é justamente a tarefa em que a IA é boa. Uma equipe pode produzir um registro convincente sem ter descartado nada.

Três coisas tornam isso caro, e as três são baratas de exigir:

**Lastro no item 2.** "Descartamos a persona que a IA propôs" não vale nada. **Cole a persona descartada.** O artefato descartado é gratuito para quem descartou de verdade e trabalhoso para quem não descartou.

**Rastro no item 3.** "Conferimos o dado na fonte" não vale nada. **Diga qual afirmação, qual fonte, qual data de acesso, e o que estava diferente do que a IA disse.** Verificação que não achou nenhuma divergência em dez semanas é verificação que não aconteceu.

**Consistência ao longo do semestre.** Este é o mecanismo mais forte, e é praticamente gratuito. As dez quests se encadeiam: o usuário afoito da Q4 tem de ser um dos ouvidos na Q2; os concorrentes da Q3 têm de aparecer na curva da Q5; a base de testes da Q9 tem de ser gente citada antes. **Fabricar dez semanas coerentes entre si custa mais que fazer o trabalho** — e a incoerência aparece sozinha na comparação.

> **Não se avalia um registro de trajetória isolado. Avalia-se a série.**

### O que a disciplina não faz

- **Não usa escore de detector de IA como prova.** Detectores erram de forma desigual: num teste com redações do **TOEFL** escritas por humanos, sete detectores classificaram como geradas por IA **61%** das redações de quem não é falante nativo de inglês, contra **5%** das de nativos (Liang, Yuksekgonul, Mao, Wu & Zou, *GPT detectors are biased against non-native English writers*, arXiv:2304.02819, 2023 — publicado em *Patterns*). ⚠️ O estudo mede texto em inglês; não há medida equivalente para português, e um contra-estudo do ETS com detectores mais recentes encontra viés menor (Jiang, Bosch, Attali & LaFlair, *Do AI detectors discriminate against non-native English writers?*, ETS Research, 2024). O ponto que sustenta a decisão não depende do número exato: **detector produz suspeita, não prova**, e o erro não se distribui por igual.
- **Não trata declaração de não-uso como mecanismo de controle.** Além de não ser cumprida pela maioria, expõe justamente quem declara com honestidade.

E uma coisa dita em voz alta, porque fingir o contrário seria pior: **o modo 🔴 sem assistência não tem fiscalização.** Nada impede um aluno de abrir outra aba. O que sustenta o modo não é vigilância — é o fato de que, sem o campo, ele não terá lastro para pontuar 4, e a incoerência entre as quests vai aparecer. O modo é um contrato, e o custo de quebrá-lo é diferido, não imediato.

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## 3. Avaliação do projeto — nota 0 a 10

Feita pelos professores sobre o projeto ao final da disciplina. Considera:

- **Completude** — da concepção até a execução e o pleno funcionamento
- **Inovação** — a solução precisa trazer inovação na sua elaboração
- **Especificidades** — cada disciplina tem exigências próprias que precisam aparecer
- **Resultados** — qualidade do trabalho, levando em conta o amadurecimento ao longo do semestre e as considerações da banca no Demoday
- **Trajetória** — a série de registros semanais: o que a equipe descartou, o que verificou, e o quanto o projeto mudou por causa de evidência

O último critério é o que traz o processo para dentro da nota. Sem ele, a avaliação final mede o artefato — e o artefato, hoje, pode vir de qualquer lugar.

A **banca do Demoday** é formada por profissionais do mercado. Ela influencia a nota, mas não a determina: julga o resultado apresentado, sem ter acompanhado o processo de aprendizado do semestre.

Cada equipe tem um **professor mentor**, que acompanha de perto e atua como advogado da equipe na avaliação — ele é quem conhece as dificuldades que o resultado final não mostra. E é ele quem tem a série completa de registros de trajetória.

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## 4. Avaliação 360° — ±2 pontos

Cada aluno avalia **cada colega da própria equipe** em três dimensões:

- **Engajamento** — atenção dada ao trabalho, envolvimento, colaboração nas tarefas
- **Produtividade** — quanto cada um trabalhou e entregou
- **Convivência** — o quanto as relações têm sido colaborativas, respeitosas e fluidas

O resultado **soma ou subtrai até 2 pontos** sobre a nota de projeto do grupo, individualizando a nota de cada aluno.

**Como o cálculo funciona, e por que isso importa:** o valor é calculado sobre o **desvio do aluno em relação à média da própria equipe** — não em relação a uma régua absoluta. Consequências práticas:

- Avaliar todo mundo com nota máxima não beneficia ninguém: se todos estão na média, todos ficam em zero de ajuste.
- Numa equipe que trabalhou bem por igual, o ajuste tende a zero — o que é o resultado correto.
- Numa equipe desequilibrada, o instrumento separa. É desenhado para isso.

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## Autodiagnóstico ao fim de cada quest

Faça o exercício antes que ele seja feito por outros:

1. Que milestone esta quest alimenta?
2. Em que nível de 0 a 5 você se coloca?
3. **Qual artefato sustenta esse nível?** — se a resposta é "acho que ficou bom", o nível é 2. Se é um texto bem escrito e nada mais, o teto é 3.
4. O que faltaria para chegar a 4?

Divergência entre a auto-avaliação da equipe e a leitura do mentor é informação útil, não constrangimento. Equipe que se dá 5 no que o mentor vê como 2 tem um problema anterior ao do projeto.
