<!-- Projetão · Quest #5 — Proposta Única de Valor · versão leve · projetao-ufpe.vercel.app -->

# Instruções para a IA

Você vai acompanhar um aluno do Projetão (CIn-UFPE) na quest abaixo.
Este arquivo é autocontido: tudo o que você precisa está aqui.

**Antes de produzir qualquer coisa:** pergunte o que a equipe já tem das quests anteriores,
e declare em voz alta o modo de IA desta quest.

**A regra que atravessa a disciplina:** não projetamos para nós mesmos, projetamos para os
outros. Toda afirmação sobre o usuário precisa de evidência de campo. Quando o aluno disser
"as pessoas querem X", pergunte quantas ele ouviu, quando, e o que disseram literalmente.
Se for suposição, diga isso — não ajude a fabricar justificativa bonita.

**Você não escreve a entrega no lugar do aluno.** Ele defende o resultado numa apresentação
semanal. Você pergunta, critica, organiza e devolve.

**Você não inventa dado de mercado, número de entrevista nem citação.**
Se falta evidência, o certo é dizer que falta. E você nunca escreve a fala de um
entrevistado que não existiu, nem "completa" uma entrevista curta.

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# Quest #5 — Proposta Única de Valor

> **Objetivo.** Apresentar a proposta única de valor.

| | |
|---|---|
| **Modo de IA** | 🟡 com apoio — a IA critica e ajuda a testar; a aposta é da equipe |
| **Milestone** | **PUV** (abre aqui) |
| **Entrega** | o valor que só a sua solução entrega + curva de valor dos concorrentes |
| **Erro que mais custa** | "igual, mas melhor" |

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## Inovação de valor — o conceito que sustenta a quest

A maioria das equipes chega aqui achando que precisa escolher entre **ser diferente** (e caro) ou **ser barato** (e igual). Esse é o dilema valor-custo, e a quest existe para quebrá-lo.

> A inovação de valor ocorre na área em que as ações da empresa afetam favoravelmente **tanto** sua estrutura de custos **quanto** sua proposição de valor para os compradores. **Obtêm-se economias de custo mediante a eliminação e a redução dos atributos da competição setorial. Aumenta-se o valor para os compradores ampliando-se e criando-se atributos nunca oferecidos pelo setor.**
>
> — Kim & Mauborgne, *A estratégia do oceano azul*

Não há mágica: o **baixo custo** vem das duas primeiras ações (eliminar, reduzir) e o **diferencial** vem das duas últimas (elevar, criar). São operações sobre **conjuntos diferentes de atributos** — por isso podem acontecer ao mesmo tempo.

E, contra a intuição de turma de computação: **inovação de valor não é inovação tecnológica.** Starbucks, Cirque du Soleil, Southwest — nenhum deles inventou tecnologia.

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## O modelo das quatro ações

Sobre cada atributo, pergunte:

1. Que atributos considerados **indispensáveis pelo setor** devem ser **eliminados**?
2. Que atributos devem ser **reduzidos bem abaixo** dos padrões setoriais?
3. Que atributos devem ser **elevados bem acima** dos padrões setoriais?
4. Que atributos **nunca oferecidos pelo setor** devem ser **criados**?

O que cada uma força:

- **Eliminar** — considerar atributos que há muito servem de base para a concorrência e que são tidos como indispensáveis **ainda que não gerem mais valor, ou até o destruam**.
- **Reduzir** — expor o **excesso de engenharia**: entregar muito além do que o cliente pede, inflando custo à toa.
- **Elevar** — identificar e corrigir as limitações que o setor impõe aos clientes.
- **Criar** — descobrir fontes inteiramente novas de valor e mudar a estratégia de preços do setor.

**Eliminar e criar são as de maior alavancagem** — forçam a ir além de maximizar atributos já estabelecidos, tornando irrelevantes as regras atuais da competição.

### Por que a matriz, e não só a curva

A curva é um gráfico; a matriz ERRC é um **compromisso escrito em quatro quadrantes**. A diferença prática: a curva pode ser desenhada só "para cima" — a matriz deixa **duas caixas visivelmente vazias** se a equipe não cortou nada.

> **Duas caixas vazias em "eliminar" e "reduzir" = a equipe não fez inovação de valor, fez lista de desejos.**

A matriz denuncia na hora quem só eleva e cria, inflando a estrutura de custo — e num projeto de semestre isso significa um escopo que não cabe.

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## A matriz de avaliação de valor

**Eixo X** — os **fatores de competição** do setor: aquilo em que os concorrentes investem e o comprador percebe.

> ⚠️ **Correção ao material do site, e uma ressalva sobre o termo.** É comum ouvir que "apesar do nome, a curva traz **funcionalidades** no eixo X". A intenção está certa — não vão ali valores abstratos como "confiança" ou "sustentabilidade". Mas "funcionalidades" esconde o essencial: nos exemplos canônicos, a maioria dos itens do eixo **não é funcionalidade de produto**.
>
> O livro chama esses itens de **atributos** ("o eixo horizontal representa a variedade de atributos nos quais o setor investe e compete"). **Fatores de competição** é o rótulo desta disciplina, adotado por ser mais explícito — não é expressão de Kim & Mauborgne, e não deve ser citada como tal.
>
> No vinho: preço, imagem de nobreza na embalagem, investimento em marketing, envelhecimento, prestígio do vinhedo, complexidade do sabor, amplitude da linha. Na aviação de baixo custo: preço, serviço amigável, velocidade, frequência, refeições, salas de espera, escolha de assento, conexões. No circo: tema, várias produções, ambiente refinado, música e dança.
>
> **Preço, canal, marca, marketing, experiência, serviço e conveniência são fatores legítimos.** Reduzir o eixo a "funcionalidades" empurra a equipe para o vício do **foco interno** — falar "megahertz" onde o cliente diz "velocidade" — e mata os cortes de custo mais valiosos. Os cortes do Cirque du Soleil foram *animais, astros e picadeiros*: nenhum deles é funcionalidade.

**Eixo Y** — o **nível de oferta de cada fator segundo a percepção do comprador**. Nota alta = entrega mais e investe mais. **No caso do preço, nota alta significa preço mais alto.**

### Sobre a ordem "preço → excluir → diminuir → aumentar → criar"

A ordem **eliminar → reduzir → elevar → criar** é do livro, e tem razão de ser: os cortes vêm antes dos acréscimos, senão o custo explode.

Já **"preço primeiro" não é regra enunciada** — é convenção didática do Projetão, e é útil (obriga a decidir o posicionamento antes de sonhar com funcionalidades). O que o livro de fato prescreve com o preço à frente é outra coisa, e vale ensinar separado: **custeie a partir do preço estratégico, nunca precifique a partir do custo.**

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## Os três critérios de uma boa curva

Uma estratégia eficaz apresenta três qualidades. Sem elas, a estratégia será confusa, indistinta, difícil de comunicar e cara.

| Critério | O que é | Como falha |
|---|---|---|
| **Foco** | Ênfase em poucos fatores, não no espectro todo | Curva alta em tudo → custo alto, modelo complexo |
| **Singularidade** | A forma da curva **diverge** da dos rivais | Curva reativa, sobreposta à do concorrente — "perdeu-se no oceano vermelho" |
| **Mensagem consistente** | Um slogan vigoroso e **verdadeiro** | Sem mensagem → inovação pela inovação, sem potencial comercial |

O teste da mensagem é operacional: **se a estratégia não permite um slogan forte e autêntico, ela não está pronta.** E o slogan tem de anunciar oferta verdadeira, para o cliente não perder a confiança.

### Diagnóstico de curva ruim

| Sintoma | Diagnóstico |
|---|---|
| Alta e plana em tudo | Sem foco. Custo alto, modelo complexo |
| Sobreposta à dos concorrentes | Oceano vermelho. Crescimento só por sorte setorial |
| Alta em tudo sem retorno | Excesso de oferta. Falta decidir **o que eliminar e reduzir** |
| **Contradição estratégica** | Alto num fator e baixo no que o sustenta — investir na facilidade do site e não corrigir a lentidão dele |
| **Foco interno** | Rótulos em jargão: "megahertz" em vez de "velocidade" |

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## As perguntas da entrega

1. **Para a oportunidade escolhida, quais valores os concorrentes entregam e como?**
   → faça a curva de valor **deles** primeiro
2. **Qual valor só a sua solução vai entregar?** O que a torna única?
3. **O valor entregue é o mesmo para usuário e cliente**, se houver essa distinção?

A pergunta 3 é curta e derruba projeto. Se a escola paga e o aluno usa, a PUV que encanta o aluno pode ser irrelevante para quem assina o cheque. Frequentemente é preciso **uma PUV para cada**, e elas precisam ser compatíveis.

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## Como escrever a PUV

A definição operacional: **por que você é diferente e vale a pena conquistar atenção.**

Note a formulação — não é "vale a pena comprar". A primeira batalha nem é vender; é conseguir atenção. Visitantes de primeira viagem gastam cerca de **8 segundos** numa página antes de decidir se ficam.

### Três regras

1. **Seja diferente, mas garanta que a diferença importa.** A chave é derivar a PUV **diretamente do problema nº 1** que você resolve. Se o problema vale a pena, você já está mais da metade do caminho.
2. **Mire o usuário afoito**, não o meio. Mensagem para o meio sai diluída — e o seu produto ainda não é para o mercado de massa.
3. **Foque no benefício da história terminada.**

### Feature, benefício e benefício da história terminada

| Nível | Exemplo (serviço de currículos) |
|---|---|
| Funcionalidade | "modelos projetados profissionalmente" |
| Benefício | "um currículo que chama atenção" |
| **História terminada** | **"conseguir o emprego dos seus sonhos"** |

Benefício ainda exige que o cliente traduza para a visão de mundo dele. A boa PUV entra na cabeça dele e foca no que ele obtém **depois** de usar.

### A fórmula

> **Headline de clareza instantânea = resultado final que o cliente quer + prazo específico + tratamento da objeção**

Os dois últimos são ótimos se couberem, mas **não são obrigatórios**. O exemplo canônico junta os três: *"Pizza quente entregue na sua porta em 30 minutos ou é de graça."*

### Quatro testes antes de fechar

Dois vêm do livro e dois são heurísticas da disciplina — a distinção está marcada porque importa saber o que você pode citar como fonte.

| Teste | Como aplicar | Origem |
|---|---|---|
| **Público** | Se a frase serve para todo mundo, não serve para o usuário afoito. Mensagem para o meio sai diluída | Maurya |
| **Palavras próprias** | Escolha poucas palavras-chave e seja dono delas (Performance = BMW; Design = Audi; Prestígio = Mercedes) | Maurya |
| **Substituição** | Troque o nome do seu produto pelo de um concorrente. Se a frase continua verdadeira, refaça | heurística da disciplina |
| **Superlativo** | Se depende de "melhor", "mais fácil", "mais rápido" sem número, não diz nada | heurística da disciplina |

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## Pitch de alto conceito — e por que ele NÃO vai no site

Destilação estilo Hollywood: *"YouTube: Flickr para vídeo"*, *"Aliens: Tubarão no espaço"*.

> **Não confunda com a PUV, e não use na landing page.** Há o risco de os conceitos em que o pitch se apoia serem desconhecidos do seu público.

Onde ele serve: **no fecho de uma entrevista**, como gancho memorável que ajuda a pessoa a espalhar a ideia. E note a torção: ancore na ferramenta que **o interlocutor** já usa — *"o SmugMug sem precisar fazer upload"*, trocando "SmugMug" pelo serviço que aquela pessoa citou.

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## Nome e slogan — comece a pensar agora

A Q10 vai pedir **nome comercial e slogan**, e equipe que só pensa nisso na véspera improvisa. O insumo nasce aqui: o slogan é o teste da mensagem consistente (acima), e o nome costuma sair das palavras-chave que você escolheu ser dono.

Não decida agora — só anote os candidatos junto com a PUV. Na Q10 você escolhe entre o que já existe.

> **Slogan não é PUV.** A PUV explica por que você é diferente; o slogan é a versão que cabe num banner e que a pessoa repete. Um sai do outro, mas eles não são o mesmo texto.

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## Vantagem de lascar ≠ PUV

- **PUV** é o que você **promete**.
- **Vantagem de lascar** é o motivo pelo qual **outro não entrega a mesma promessa**.

A definição: algo que **não pode ser facilmente copiado ou comprado**. Funcionalidade não é — é copiável num sprint. Comunidade, dado acumulado, acesso privilegiado, conhecimento de domínio raro e efeito de rede são.

Num projeto de semestre é aceitável **não ter ainda** — e é mais honesto dizer isso do que inventar. A vantagem real costuma ser o **conhecimento de campo**: você passou um semestre com um público que ninguém mais estudou.

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## Procedimento

1. Traga a tabela de valores da Q3 — os que os concorrentes entregam e os que não.
2. Marque os que o **seu usuário afoito** disse que importam. Não os que você acha.
3. **Monte a curva dos concorrentes primeiro.** Só deles. Isso já revela onde o setor todo se acumula — e onde não há oportunidade.
4. Preencha a **matriz ERRC**, nesta ordem. Se as caixas de eliminar e reduzir ficarem vazias, pare e volte.
5. Desenhe a sua curva. Aplique os três critérios.
6. Escreva a PUV em uma frase. Aplique os quatro testes.
7. **Volte a campo e mostre a frase para 5 pessoas.** Se ninguém entender sem explicação, o problema é a frase.
8. Se usuário e cliente forem distintos, repita 6 e 7 para o cliente.

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## Referências desta quest

| Arquivo | Quando |
|---|---|
| **Curva de valor — Quest #5** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-05.md) | Ao montar. Passo a passo, o processo de quatro etapas em equipe, exemplos trabalhados |
| **Escrever a PUV — Quest #5** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-05.md) | Ao redigir. Fórmula, testes, exemplos, o que não fazer |
| **Autodiagnóstico — Quest #5** (neste arquivo) | Antes de entregar |

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### Técnicas desta quest

Fichas curtas de consulta rápida. Abra quando o procedimento acima mencionar a técnica.

| Ficha | Para quê |
|---|---|
| **Blue Ocean Strategy** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-05.md) | a grade das quatro ações |
| **Curva de Valor** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-05.md) | como montar e como ler |
| **Percepção de Valor** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-05.md) | valor × novidade |
| **Vantagem de Lascar (Unfair Advantage)** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-05.md) | o que não se copia |
| **Brainstorm** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-05.md) | gerar candidatos a valor único |

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## Perguntas frequentes

**"E se descobrirmos que não temos nada de único?"**
É resultado legítimo, e melhor descobrir agora do que na Q8. Duas saídas: mudar de segmento (o mesmo produto pode ser único para um público mais específico) ou mudar o mecanismo. O que não funciona é seguir para a Q6 fingindo.

**"Podemos perguntar aos clientes o que tornaria a solução única?"**
Não espere resposta útil. Os próprios clientes não conseguem imaginar como criar espaço novo; a perspectiva deles tende a "me dê mais por menos". A singularidade vem de observar as **alternativas** e os **não clientes**, não de pedir sugestão.

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## Bibliografia desta quest

| Obra | O que ela dá para a Q5 |
|---|---|
| **Kim & Mauborgne — A estratégia do oceano azul** | Inovação de valor, quatro ações, matriz ERRC, os três critérios, diagnóstico de curva |
| **Maurya — Running Lean** | O bloco PUV, a fórmula do headline, feature/benefício/história terminada, pitch de alto conceito |
| **Osterwalder & Pigneur — Business Model Generation** | O vocabulário de fontes de valor: novidade, desempenho, customização, design, marca, preço, redução de risco, acessibilidade, conveniência |
| **Brown — Change by Design** | O filtro desejabilidade / viabilidade / exequibilidade |
| **Ries — A startup enxuta** | Bibliografia oficial da quest no site |

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# Modo de IA — como esta disciplina trata o uso de inteligência artificial

Leia isto antes de trabalhar em qualquer quest. Vale para o aluno e para a IA que o acompanha.

## A premissa

**Todo aluno usa IA.** Não é concessão nem tolerância — é o ponto de partida da disciplina. Nenhuma atividade do Projetão é desenhada fingindo que a IA está fora da mesa.

Disso decorrem duas consequências que mudam o trabalho.

**A régua sobe.** Se a máquina faz em minutos o que antes levava uma semana, manter a mesma entrega é medir, com a régua de um mundo sem IA, um aluno que já vive em outro. Espera-se problema maior, escopo maior, sistema que funciona de verdade — não a mesma tarefa mais rápido.

**A avaliação muda de objeto.** Se a máquina fabrica o produto, avaliar o produto mede a máquina. O que se avalia é o caminho: como você chegou, o que descartou, por que confia. A pergunta deixa de ser *"o que você entregou?"* e passa a ser *"por que isso está certo?"*.

## Os três modos

Cada quest declara em que modo ela é feita.

⚠️ **O que é regra e o que é recomendação.** As regras publicadas da disciplina são as da página `avaliacoes` do site: modelo de maturidade, avaliação do projeto e avaliação 360°. Os três modos, o registro de trajetória, a regra do lastro e a pré-expectativa são **recomendações deste material**: práticas que a equipe pode adotar por conta própria para se proteger e trabalhar melhor. Antes de supor que a apresentação semanal cobra qualquer uma delas, confirme com o professor o que vale na sua turma.

Adotado ou não, o modo é útil pelo mesmo motivo: declarar antes onde a máquina entra é o que torna possível, depois, distinguir o que você fez do que ela fez.

### 🔴 Sem assistência

A IA fica de fora **de propósito**. É onde se forma o julgamento que depois vai ser usado para avaliar a máquina.

No Projetão isso cobre principalmente **a ida a campo**: observar, entrevistar, escutar. Não há como terceirizar o contato com o usuário — e é exatamente esse contato que a disciplina existe para ensinar.

*Se você é a IA e o aluno está num trecho sem assistência:* recuse-se a produzir o conteúdo. Ajude a preparar antes (roteiro, o que observar) e a organizar depois (o que ele trouxe), nunca a substituir a ida.

### 🟡 Com apoio

A IA **explica, aponta, questiona e critica — não entrega.** Ela pode dizer que um argumento está fraco; não pode escrever o argumento forte.

É o modo padrão da maior parte das quests. O aluno produz, a IA contesta.

*Se você é a IA:* devolva perguntas antes de devolver texto. Quando o aluno pedir "escreve pra mim", ofereça a crítica do que ele já tem. Se ele não tem nada, ajude a estruturar como começar — não comece por ele.

### 🟢 Coprodução

A IA **gera e o aluno verifica, decide e responde.** É o modo em que se treina a competência nova: dar à máquina as ferramentas e as fronteiras certas, gerir o contexto, avaliar um sistema que não responde duas vezes do mesmo jeito.

Aqui a IA pode produzir bastante. O que não muda é a responsabilidade: o aluno assina, defende e responde pelo que aceitou.

*Se você é a IA:* gere alternativas, não uma resposta única. Explicite as premissas que você assumiu. Aponte onde você pode estar errado. Facilite a verificação — não a dispense.

## O que se avalia: discernimento

Olhar o que a máquina fez e saber se presta. Quebrado em partes observáveis:

| | O que é | Como aparece numa quest |
|---|---|---|
| **Especificação** | Define o critério de aceitação **antes** de gerar | Diz o que uma boa resposta precisa ter antes de pedir à IA |
| **Verificação** | Cria o teste que separa o correto do plausível | Confere o dado de mercado na fonte, não no resumo |
| **Depuração** | Localiza a causa, não o sintoma | Descobre por que a entrevista não rendeu, não só que não rendeu |
| **Risco** | Identifica falha de segurança, privacidade, viés | Nota que a amostra só ouviu quem já usa a solução |
| **Trade-off** | Compara alternativas com critério explícito | Justifica por que descartou duas das três oportunidades |
| **Calibração** | Declara o quanto confia, e muda diante de evidência | Diz "esse número é estimativa grosseira" quando é |
| **Transferência** | Resolve problema novo sem depender da conversa anterior | Aplica a técnica numa situação que a IA não viu |
| **Responsabilidade** | Explica o que aceitou, o que recusou e o que ainda não sabe | Sustenta a entrega na arguição |

## O registro de trajetória

Toda entrega de quest vem acompanhada de um registro curto — **meia página basta**:

1. **Modo** em que a quest foi feita, e onde você saiu dele (se saiu).
2. **O que a IA gerou e você descartou** — e por quê. Este é o item mais informativo dos quatro.
3. **O que você verificou** e como. Que afirmação você foi conferir na fonte?
4. **O que ainda não sabe.** Incerteza declarada não tira ponto; incerteza escondida, sim.

Não é burocracia de controle. É o material sobre o qual a nota é formada — e o único jeito de o mérito do aluno aparecer quando o artefato poderia ter saído de qualquer lugar.

## O que a disciplina não faz

- **Não usa escore de detector de IA como prova.** Detectores erram de forma desigual: num teste com redações do **TOEFL** escritas por humanos, sete detectores classificaram como geradas por IA **61%** das redações de quem não é falante nativo de inglês, contra **5%** das de nativos (Liang, Yuksekgonul, Mao, Wu & Zou, *GPT detectors are biased against non-native English writers*, arXiv:2304.02819, 2023 — publicado em *Patterns*). ⚠️ O estudo mede texto em inglês; não há medida equivalente para português, e um contra-estudo do ETS com detectores mais recentes encontra viés menor (Jiang, Bosch, Attali & LaFlair, *Do AI detectors discriminate against non-native English writers?*, ETS Research, 2024). O ponto que sustenta a decisão não depende do número exato: **detector produz suspeita, não prova**, e o erro não se distribui por igual.
- **Não trata declaração de não-uso como mecanismo de controle.** Além de não ser cumprida pela maioria, expõe justamente quem declara com honestidade.

O que substitui os dois é mais trabalhoso e é o que forma: avaliar o processo e o raciocínio.

## Duas obrigações que valem nos dois sentidos

**Acesso.** Assumir que todo aluno usa IA e deixar cada um arcar sozinho com a ferramenta converteria capacidade de pagamento em desempenho. A disciplina se compromete a viabilizar acesso por modelos gratuitos, quotas e parcerias. Se você está sem acesso, isso é problema da disciplina, não seu — avise.

**Custo.** Use o modelo adequado à tarefa, não o maior por reflexo, e declare a escolha quando ela for relevante. Formar alguém para usar bem uma tecnologia inclui formá-lo para perguntar quanto ela custa — e não apenas em dinheiro.

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*Baseado no manifesto do Porto Digital sobre formação em tecnologia na era da IA (Residência Tecnológica, 2026). A adoção no Projetão está em curso: o que funcionar e o que não funcionar será medido e publicado.*

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# Consentimento e dados de terceiros

Este material manda você fotografar pessoas em campo, gravar entrevistas, gravar tela de teste de usabilidade e registrar nome e contato de quem foi ouvido. Tudo isso é **dado de outra pessoa**. Ela não é sua colega de equipe nem parte do projeto: ela cedeu meia hora do dia dela.

O que segue é o mínimo para que a coleta seja honesta. Não é assessoria jurídica, e não substitui o que o professor ou o comitê de ética da instituição determinar. Se o seu projeto envolve **saúde, crianças e adolescentes, população em situação de vulnerabilidade, dados de pessoas identificáveis em contexto sensível ou qualquer forma de dado que possa expor alguém**, pare aqui e pergunte ao professor antes de ir a campo.

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## A regra curta

**Pergunte antes, em voz alta, e aceite o não.**

Três frases, ditas no começo da conversa, resolvem a maior parte dos casos:

> "Sou aluno da UFPE, estou fazendo um trabalho de disciplina sobre *[tema]*. Posso te fazer umas perguntas por uns 20 minutos?"
>
> "Posso gravar só o áudio, para eu não perder nada? Fica com a minha equipe e com o professor da disciplina, que confere o trabalho; ninguém mais ouve, e eu apago no fim do semestre."
>
> "Se em algum momento você quiser parar, ou quiser que eu tire alguma coisa, é só falar."

Se a pessoa hesitar na segunda, **não grave** — anote. Uma entrevista anotada vale mais que uma gravação que a pessoa cedeu constrangida.

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## O que muda conforme o registro

| Registro | O que fazer |
|---|---|
| **Anotação escrita** | Avise que está anotando. Não registre nome completo se não precisar dele. |
| **Áudio** | Peça na hora, com a gravação **ainda desligada**. Comece a gravação pedindo de novo, agora gravado: assim o consentimento fica no próprio arquivo. |
| **Foto de pessoa identificável** | Peça. Se for espaço público e a pessoa não é o assunto (multidão, movimento do lugar), enquadre de modo que ela não seja identificável. |
| **Foto de lugar, objeto, fila, cartaz** | Livre, desde que não capture rosto, documento nem tela com dado de alguém. |
| **Foto de gambiarra** | **Peça.** Gambiarra quase sempre documenta alguém contornando uma regra do próprio trabalho — o exemplo canônico da disciplina é discutir caso clínico por WhatsApp. A pessoa é identificável pelo contexto mesmo sem aparecer, e a foto pode custar o emprego dela. Fotografe só com permissão, e descreva sem nomear o local se houver qualquer risco. |
| **Vídeo ou gravação de tela em teste de usabilidade** | Peça explicitamente e diga o que vai ser gravado (a tela e a voz, não o rosto — é o padrão, e basta). |
| **Nome e contato** | Só colete se você **vai** usar: para voltar a falar com a pessoa, ou para o professor conferir. Guarde separado das respostas. |

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## Observação em espaço público

Observar o movimento de uma praça, de uma fila, de um ginásio não exige pedir permissão a cada pessoa — mas exige três cuidados:

1. **Não registre rosto, placa, crachá, documento ou tela alheia** sem pedir.
2. **Se alguém perguntar o que você está fazendo, responda a verdade.** Você é aluno, está fazendo um trabalho, e vai embora. Observador que se esconde perde o direito de estar ali.
3. **Se o lugar tem dono ou responsável** — comércio, escola, posto de saúde, empresa —, apresente-se a ele antes. Entrar sem avisar e depois ser descoberto queima o campo para você e para as próximas turmas.

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## Campo virtual

A Q1 diz que **espaço virtual conta**, e boa parte das técnicas tem versão à distância. As regras mudam:

| Situação | O que fazer |
|---|---|
| **Observar comunidade online** (grupo, fórum, comentários) | Ler é uma coisa; **reproduzir** é outra. Não cole print com nome de usuário, foto de perfil ou texto que identifique alguém. Parafraseie, ou peça autorização à pessoa. Grupo fechado não é espaço público: entrar para pesquisar sem dizer a que veio é o mesmo que observar escondido. |
| **Chamada de vídeo** | Peça para gravar **antes** de apertar o botão, e de novo já gravando. Diga se o rosto entra ou só a voz. Ferramenta que transcreve sozinha também é gravação: avise. |
| **Teste de usabilidade remoto** | Grave tela e voz, não a câmera. Lembre a pessoa de fechar aba, notificação e qualquer coisa pessoal antes de compartilhar a tela — a responsabilidade de avisar é sua. |
| **Formulário** | Não peça dado que você não vai usar. Se pedir e-mail ou telefone, diga para quê, e não torne obrigatório. |
| **Print de conversa** (WhatsApp, chat) | É dado de duas pessoas, não de uma. Peça às duas, ou tarje. |

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## A pessoa pode mudar de ideia depois

Consentimento não é assinatura que encerra o assunto. Se a pessoa procurar você depois da conversa e pedir para retirar o que disse, ou apagar a gravação, **atenda** — mesmo que já esteja na entrega. Diga isso a ela no começo:

> "Se depois você quiser que eu tire alguma coisa, me avisa que eu tiro."

Guarde um jeito de encontrar o material dela: se você não sabe qual gravação é de quem, não consegue cumprir a promessa.

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## E a lei

No Brasil vale a **LGPD** (Lei 13.709/2018). Você não precisa virar especialista, mas três noções mudam decisões concretas:

- **Dado pessoal** é o que identifica alguém — nome, telefone, e-mail, imagem, voz, e também o que identifica **por combinação** ("o enfermeiro do turno da noite daquele posto").
- **Dado sensível** — saúde, origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação sindical, vida sexual, biometria — tem regra mais estrita. Se o seu projeto encosta nisso, fale com o professor **antes** de coletar.
- **Finalidade e prazo:** você coleta para o trabalho da disciplina, e apaga no fim do semestre. Usar depois para outra coisa — um artigo, uma startup, um portfólio — é outra finalidade e exige pedir de novo.

⚠️ Isto é orientação de bolso, não parecer jurídico. Em dúvida, pergunte ao professor.

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## Quem não pode consentir sozinho

- **Menores de 18 anos:** o consentimento é de quem responde por eles. Se o seu projeto é sobre adolescentes, isso não é detalhe de execução — é uma restrição de escopo que muda o cronograma. Fale com o professor **antes da Q1**.
- **Pessoa em situação de dependência em relação a você** (seu funcionário, seu aluno, alguém que espera algo de você): o "sim" dela não é livre. Procure outra pessoa.
- **Pessoa que não entendeu o que você pediu.** Se você não conseguiu explicar em duas frases o que vai fazer com o material, o problema é seu, não dela.

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## Enquanto o material existe

- **Guarde no lugar da equipe, não no seu celular pessoal** — e num lugar em que quem saiu da equipe deixa de ter acesso.
- **Não publique bruto.** Nem no repositório do projeto, nem no slide do Demoday, nem no grupo da turma. Na apresentação vai o **achado**, não a gravação; se for indispensável mostrar um trecho, peça de novo à pessoa, especificamente para isso.
- **Anonimize na entrega.** "Jorge, 53 anos, usuário do parque" é persona. "Jorge Silva, (81) 9xxxx-xxxx, mora na rua tal" é dado pessoal e não entra em documento que circula.
- **Apague no fim do semestre.** Diga isso à pessoa no começo, e depois cumpra.

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## O que a IA não faz aqui

Este é um ponto em que a máquina não ajuda, e tentar usá-la piora:

- **Não peça à IA que invente a fala de um entrevistado**, nem para "completar" uma entrevista curta. Se você tem cinco minutos de conversa e precisa de vinte, volte a campo.
- **Não cole gravação nem transcrição com nome, contato ou dado de saúde de terceiro** numa ferramenta de IA sem saber o que ela faz com aquilo. Anonimize antes: troque nomes por iniciais, tire telefone e endereço.
- **Transcrever e organizar o que a pessoa disse** é uso legítimo (🟡 com apoio). **Escrever o que ela teria dito** não é uso: é invenção de evidência, e é o erro que mais desqualifica um projeto.

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## O teste de uma frase

Antes de registrar qualquer coisa, pergunte-se:

> **Se essa pessoa visse depois o que eu guardei, e onde guardei, ela se sentiria enganada?**

Se a resposta for "talvez", peça de novo — agora explicando a parte que você não explicou.

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## Fontes

- **IDEO**, *HCD Toolkit* (pt-BR) — a fase *Ouvir*: apresentar-se, explicar o propósito e pedir permissão antes de registrar
- **Holtzblatt, Wendell & Wood**, *Rapid Contextual Design* — o acordo explícito com o participante no começo da sessão de indagação contextual
- **Steve Krug**, *Não me faça pensar* / *Rocket Surgery Made Easy* — a prática de gravar tela e voz, não rosto, e de avisar o participante do que está sendo gravado. Krug vai além e prescreve um **formulário de autorização de gravação, assinado antes da sessão**; num trabalho de disciplina o pedido verbal gravado costuma bastar, mas se a sessão vai ser gravada em vídeo, ou o material pode sair da equipe, use o formulário
- **Lei 13.709/2018 (LGPD)** — as noções de dado pessoal, dado sensível, finalidade e prazo
- ⚠️ O restante deste arquivo é **orientação da disciplina**, não regra publicada no site do Projetão nem parecer jurídico. Em projeto que envolva população vulnerável ou dado sensível, a palavra final é do professor e do comitê de ética da instituição.

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# Autodiagnóstico — Quest #5

Rode isto **depois** de a curva estar desenhada e a frase escrita, e **antes** de mostrar para alguém de fora. O milestone **PUV** abre aqui, e a **Prova de conceito** começa a ser gestada — o que significa que o erro desta quest se paga com escopo na próxima.

Pontue cada bloco de 0 a 5. **Some no fim e leia a régua.**

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## Rubrica — Curva dos concorrentes

| Nota | Estado |
|---|---|
| 0 | Não foi desenhada; foi direto para a curva da equipe. |
| 1 | Foi desenhada, mas o eixo X só tem funcionalidades de produto. |
| 2 | Há fatores não funcionais (preço, canal, conveniência), mas os rótulos estão em jargão da equipe. |
| 3 | Os rótulos usam **palavras que os usuários disseram**, e o eixo inclui pelo menos uma **alternativa existente que não é produto** — planilha, caderno, grupo de mensagens, não fazer nada. |
| 4 | Estão representadas também as **alternativas fora do setor**: o outro jeito pelo qual o usuário atende à mesma necessidade hoje. |
| 5 | A equipe consegue apontar, olhando o desenho, **onde o setor todo se acumula** — e portanto onde não há oportunidade. Se as curvas dos concorrentes saíram quase idênticas, isso está registrado como achado, não corrigido como erro. |

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## Rubrica — Matriz eliminar-reduzir-elevar-criar

| Nota | Estado |
|---|---|
| 0 | Não foi preenchida, ou só há a curva. |
| 1 | As caixas **eliminar** e **reduzir** estão vazias. É lista de desejos. |
| 2 | Há algo em eliminar e reduzir, mas são itens que a equipe já não ia fazer mesmo. |
| 3 | Há pelo menos um item eliminado que **o setor considera indispensável**. |
| 4 | Para cada corte, está escrito **por que ele não destrói valor para o usuário** — com evidência de campo, não com raciocínio da equipe. |
| 5 | Os cortes reduzem custo ou escopo de forma verificável **e** os acréscimos vêm de fora do setor ou dos não clientes. A equipe sabe dizer o que o corte libera: tempo de semestre, dependência de terceiro, complexidade. |

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## Rubrica — A sua curva

| Nota | Estado |
|---|---|
| 0 | Alta em tudo. |
| 1 | Diverge dos concorrentes em um fator só, e é um fator que ninguém percebe. |
| 2 | Tem foco, mas há **contradição estratégica**: alto num fator e baixo no que o sustenta. |
| 3 | Passa nos três critérios — foco, singularidade e mensagem consistente. |
| 4 | Passa nos cinco diagnósticos de curva ruim (falta de foco, sobreposição, excesso sem retorno, contradição, foco interno). |
| 5 | A curva é **desenhável de memória** por qualquer integrante da equipe, e a mensagem sai junto com o desenho. |

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## Rubrica — A frase

| Nota | Estado |
|---|---|
| 0 | Descreve a solução: "uma plataforma que integra...". |
| 1 | Está no nível da funcionalidade. |
| 2 | Está no nível do benefício, mas exige que o leitor traduza para a vida dele. |
| 3 | Está no nível do **benefício da história terminada**, e responde **o quê** e **quem**. |
| 4 | Passa nos quatro testes: substituição, superlativo, público, palavras próprias. |
| 5 | Foi mostrada a **cinco pessoas do público-alvo sem explicação prévia** e todas entenderam. Se há prazo específico ou tratamento de objeção, eles são verdadeiros — a mensagem anuncia oferta que existe. |

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## Rubrica — Usuário e cliente

| Nota | Estado |
|---|---|
| 0 | A distinção nem foi considerada. |
| 1 | Foi considerada e a equipe concluiu, sem verificar, que são a mesma pessoa. |
| 2 | São distintos e há **uma única PUV**, escrita para o usuário. |
| 3 | Há uma PUV para cada. |
| 4 | As duas PUVs são **compatíveis**: nada que encanta um inviabiliza o outro. |
| 5 | Cada PUV foi testada com o seu próprio público, separadamente. |

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## A régua

| Soma (0–25) | Leitura |
|---|---|
| 0–9 | Provavelmente é "igual, mas melhor". Volte à curva dos concorrentes. |
| 10–15 | Há diferença, mas ela ainda não foi verificada com ninguém de fora. |
| 16–21 | Defensável. Ataque o bloco de menor nota antes de seguir para a Q6. |
| 22–25 | Pronta. Use o tempo restante para começar a converter a curva em escopo de prova de conceito. |

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## Os sinais de "igual, mas melhor"

Este é o erro que mais custa nesta quest. Cinco sinais, e basta um:

- [ ] A frase sobrevive à troca do nome do produto pelo de um concorrente
- [ ] A curva da equipe tem a **mesma forma** da dos concorrentes, só que mais alta
- [ ] As caixas de eliminar e reduzir têm menos itens do que as de elevar e criar
- [ ] A diferença que a equipe reivindica é uma funcionalidade
- [ ] A justificativa da diferença começa com "a gente acha que"

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## Antes de entregar

- [ ] Curva dos concorrentes e curva da equipe, na **mesma escala**, na **mesma página**
- [ ] Matriz eliminar-reduzir-elevar-criar com as quatro caixas preenchidas
- [ ] A PUV em uma frase, com subtítulo se necessário
- [ ] Resposta explícita à pergunta 3 da entrega: o valor é o mesmo para usuário e cliente?
- [ ] Registro de quem foram as cinco pessoas do teste da frase, e o que cada uma entendeu
- [ ] Nenhuma nota do eixo Y vinda de avaliação da equipe: elas vêm da percepção declarada pelo usuário

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## O filtro para a próxima quest

A PUV é uma promessa; a prova de conceito é o começo de honrá-la. Brown propõe avaliar ideias por três restrições que se sobrepõem: **desejabilidade** (o que faz sentido para as pessoas e para as pessoas), **exequibilidade** (o que é funcionalmente possível num futuro previsível) e **viabilidade** (o que tem chance de virar parte de um modelo de negócio sustentável). Um projetista competente resolve cada uma; o que distingue o pensamento de projeto é **trazê-las a um equilíbrio harmonioso** — e o peso entre elas varia de projeto para projeto.

**Na virada para a Q6:** classifique cada elemento da sua curva nas três colunas. Um fator que só existe em desejabilidade, sem nota em exequibilidade, é promessa que o semestre não paga — melhor descobrir agora, enquanto a curva ainda é um desenho.

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## Fontes

- **Kim & Mauborgne**, *A estratégia do oceano azul* — os três critérios e os diagnósticos de curva ruim, que estruturam os blocos 1 a 3.
- **Maurya**, *Running Lean* — funcionalidade, benefício e benefício da história terminada, e as regras que estruturam o bloco 4.
- **Brown**, *Change by Design* — as três restrições sobrepostas e a observação de que o peso entre elas varia por projeto.

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> Versão leve. As referências completas desta quest estão em
> https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-05.md
