<!-- Projetão · Quest #2 — Oportunidades · versão leve · projetao-ufpe.vercel.app -->

# Instruções para a IA

Você vai acompanhar um aluno do Projetão (CIn-UFPE) na quest abaixo.
Este arquivo é autocontido: tudo o que você precisa está aqui.

**Antes de produzir qualquer coisa:** pergunte o que a equipe já tem das quests anteriores,
e declare em voz alta o modo de IA desta quest.

**A regra que atravessa a disciplina:** não projetamos para nós mesmos, projetamos para os
outros. Toda afirmação sobre o usuário precisa de evidência de campo. Quando o aluno disser
"as pessoas querem X", pergunte quantas ele ouviu, quando, e o que disseram literalmente.
Se for suposição, diga isso — não ajude a fabricar justificativa bonita.

**Você não escreve a entrega no lugar do aluno.** Ele defende o resultado numa apresentação
semanal. Você pergunta, critica, organiza e devolve.

**Você não inventa dado de mercado, número de entrevista nem citação.**
Se falta evidência, o certo é dizer que falta. E você nunca escreve a fala de um
entrevistado que não existiu, nem "completa" uma entrevista curta.

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# Quest #2 — Oportunidades

> **Objetivo.** Identificar 2 a 3 oportunidades de inovação dentro da temática.

| | |
|---|---|
| **Modo de IA** | 🔴 sem assistência na entrevista · 🟡 com apoio no roteiro e na análise |
| **Milestone** | **Usuário** (abre aqui) |
| **Entrega** | 2 ou 3 problemas/desejos com evidência de campo e de mercado |
| **Erro que mais custa** | escrever a solução ao contrário e chamar de problema |

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## A virada desta quest

A Q1 foi esforço operacional — ir, olhar, registrar. A Q2 é **esforço intelectual**: abstração e raciocínio sobre o que foi visto. A equipe volta a um dos espaços observados e procura **conversar com quem entende do assunto**.

Muda também quem você procura: na Q1 você observou qualquer um; aqui você busca quem tem a dor e quem conhece o terreno.

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## Problema: a definição operacional

**Algo que incomoda significativamente as pessoas observadas.** O teste: se o problema é de fato relevante, elas estariam dispostas a **pagar ou adotar** uma solução.

O problema **não é** a ausência de solução. *"O problema da Fulana é que ela não tem um sistema pra fazer isso"* não é problema — é a sua solução escrita ao contrário.

### A escala de intensidade

Todo problema levantado precisa ser classificado. A escala usada na entrevista:

| | Significado |
|---|---|
| **must-have** | A pessoa já age para resolver. É aqui que mora oportunidade. |
| **nice-to-have** | Ela gostaria, mas convive bem sem. Vai para o backlog. |
| **don't need** | Não faz diferença. Sai do roteiro. |

> **Refino útil.** Existe um modelo mais fino, o de Kano, com cinco categorias em vez de três: *obrigatório* (a ausência decepciona, a presença não encanta), *desejado* (relação linear com satisfação), *encantador* (encanta se houver, não frustra se faltar — são **necessidades latentes**, que a maioria não pensaria em pedir), *neutro* e **anti-atributo** (a presença **piora** a satisfação).
>
> Por que importa: "don't need" mistura duas coisas bem diferentes — o neutro (indiferente) e o anti-atributo (rejeição ativa, às vezes a pessoa paga para *não* ter). E o *encantador* explica por que a ausência de reclamação não prova ausência de oportunidade.

### O teste que separa dor real de resposta educada

> **Não pergunte ao cliente o que ele quer. Meça o que ele faz.** — Ash Maurya

É comum a pessoa mentir na entrevista — por educação, ou porque simplesmente não sabe. O teste operacional:

- Se ela declara *must-have* mas **não está fazendo nada** para resolver, e vive bem assim → a dor não é aguda.
- Se ela usa uma solução caseira ou de concorrente **e está insatisfeita** → aí sim é problema que vale resolver.

Quando alguém classifica um problema como *must-have* e não age, **há uma desconexão** — e é seu trabalho notá-la.

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## Gambiarra

**Solução improvisada que compensa a ausência de solução adequada.** É o achado mais valioso da quest: ninguém improvisa por esporte.

> ⚠️ **Duas correções ao que se costuma dizer.**
>
> **1. Gambiarra valida a dor, não a disposição a pagar.** Na escala canônica de cinco degraus, a gambiarra é o **degrau 4**: (1) tem um problema; (2) sabe que tem; (3) procura ativamente e tem prazo; (4) **improvisou uma solução provisória**; (5) tem ou consegue orçamento. O cliente que interessa está em 4 **e** 5. Gambiarra sozinha não prova que alguém pagaria.
>
> **2. A gambiarra só conta se a pessoa estiver insatisfeita com ela.** Gambiarra estável e satisfatória é um problema **já resolvido**, não uma oportunidade.
>
> **3. A recíproca é falsa.** Ausência de gambiarra **não** prova ausência de problema — as necessidades latentes (os "encantadores" de Kano) são justamente aquelas que ninguém pensaria em pedir, e para as quais ninguém improvisou nada.

Procure gambiarra explicitamente: pergunte *"como você faz hoje quando isso acontece?"* e depois *"pode me mostrar?"*. Olhe para o que a pessoa **faz**, não para o que ela diz que deveria existir.

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## Cliente ≠ usuário — e por que o par é grosseiro demais

A regra base: **cliente é quem paga; usuário não paga.**

Mas o "cliente" se decompõe em papéis distintos, e ignorar isso derruba projeto:

| Papel | Quem é |
|---|---|
| **Usuário final** | quem usa — e às vezes tem a **menor** influência na compra |
| **Influenciador** | opina e é ouvido |
| **Recomendador** | pode fazer ou quebrar a venda |
| **Comprador econômico** | tem o orçamento |
| **Decisor** | pode estar acima do comprador econômico |
| **Sabotador** | perde estabilidade, verba ou espaço se o seu produto entrar |

O último é o mais esquecido e o que mais mata piloto em organização.

**O que entregar:** não um par binário, mas um **mapa de influência** — quem usa, quem decide, quem paga, quem pode barrar. Uma tabela de quatro linhas basta.

Esse mapa é insumo direto da Q3, que analisa os similares **por lado** (o que o comprador valoriza raramente é o que o usuário valoriza), e da Q4, que vai formalizá-lo.

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## Aprofundar: dois "por quê" diferentes

Existem dois encadeamentos de pergunta, e **eles não são a mesma coisa**. Misturá-los numa "árvore" única é erro de método.

### Cinco porquês — desce na cadeia causal

Pergunta *por que isso acontece*, buscando a causa abaixo do sintoma. Cada etapa exige uma explicação convincente do caminho causal.

> ⚠️ **O limite de cinco é deliberado**, e a justificativa contraria a intuição de "vá até a causa primária": limitar a cinco estágios impede que o processo perca relevância ao se afastar demais da pergunta original. Não há promessa de chegar à causa raiz — há um teto pragmático.

### Laddering — sobe da funcionalidade ao valor

Pergunta ***"por que isso é importante para você?"***, ligando **atributo → consequência → valor**.

O exemplo canônico, que todo aluno deveria conhecer:

> Usuário pede: *"quero um campo 'código do cargo' no relatório"* → por quê → *"só eu posso reportar esse dado"* → por que é confidencial → *"monitoramos salários para garantir que minorias sejam pagas com justiça"*.
>
> **A necessidade não é um campo de formulário. É a importância de salário justo.**

É o laddering que separa **requisito falso** de necessidade real. Sete valores costumam aparecer como motivação não dita: autoestima, realização, pertencimento, autorrealização, família, satisfação e segurança.

**Qual usar quando:** cinco porquês quando você quer entender *por que o problema acontece*; laddering quando alguém te pede uma funcionalidade e você precisa descobrir o que está por baixo.

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## As perguntas da entrega

1. **Que lugares visitaram e que pessoas entrevistaram?**
2. **Que dores ou desejos ficaram mais evidentes?** O que incomoda mais? O que é tacitamente desejado?
3. **Que produtos, serviços, artefatos e discursos** as pessoas usam nas atividades ligadas ao tema?
4. **Que gambiarras** (tecnológicas ou não) têm usado?
5. **Que artefatos ou processos já existentes poderiam estar sendo usados, e não estão?**
6. **Quais são os 2 ou 3 problemas/desejos principais**, e por que vale a pena abordá-los?
7. O problema é **(a)** muito crítico para um grupo limitado (quais?) ou **(b)** importante para um grande público (quantas pessoas?)
8. **Qual a evidência na mídia ou em publicações** do impacto ou tamanho do mercado?

A pergunta 7 é uma bifurcação estratégica, não formalidade: dor aguda em nicho pequeno e dor branda em público grande levam a projetos, modelos de receita e estratégias de tração completamente diferentes.

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## A entrevista de problema

Roteiro cronometrado, ~30 minutos. Detalhe completo em **Entrevista de problema — Quest #2** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md).

| Bloco | Tempo | O que testa |
|---|---|---|
| Boas-vindas — preparar o terreno | 2 min | — |
| Coletar demografia | 2 min | segmento de cliente |
| Contar uma história | 2 min | contexto do problema |
| **Ranqueamento dos problemas** | 4 min | o problema |
| **Explorar a visão de mundo** | 15 min | o problema + alternativas existentes |
| Fechamento — gancho e pedido | 2 min | permissão de retorno + indicações |
| Documentar | 5 min | — |

**Critério de saída:** você terminou quando entrevistou **pelo menos 10 pessoas — por equipe, não por aluno** — e consegue (a) identificar a demografia do usuário afoito, (b) nomear um problema *must-have*, e (c) descrever como o cliente resolve isso hoje.

**Faça a conta antes de começar.** A taxa típica de conversão é de cerca de **um em cada dez contatos** virar entrevista marcada. Dez entrevistas exigem, portanto, algo como cem abordagens — o que só cabe numa semana se **a equipe inteira prospectar em paralelo, no primeiro dia**. Numa equipe de sete, são quinze contatos por pessoa. Se a prospecção começar na quarta-feira, não vai dar.

**Ritmo:** 10 a 15 pessoas por semana. **Não mude o roteiro no meio da semana** — revise em lote, no fim.

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## Referências desta quest

| Arquivo | Quando |
|---|---|
| **Entrevista de problema — Quest #2** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md) | Antes de entrevistar. Roteiro completo, falas literais, formulário, critérios de saída |
| **Aprofundar — Quest #2** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md) | Quando a resposta ficar rasa. Laddering, incidente crítico, cinco porquês, Kano, cartas de amor e término |
| **Quem entrevistar — Quest #2** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md) | Ao montar a lista. Papéis de compra, como achar gente, ritmo de prospecção |
| **Autodiagnóstico — Quest #2** (neste arquivo) | Antes de entregar |

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## Armadilhas nomeadas pelos livros

1. **Survey no lugar de entrevista.** O survey pressupõe que você já sabe as perguntas certas — e, pior, as respostas certas, ao fixar as alternativas. E você não vê a pessoa.
2. **Focus group.** Degenera em pensamento de grupo.
3. **Enviesar o ranqueamento pela ordem.** Reordene a lista de problemas entre entrevistas.
4. **Conduzir ou vender.** Não lidere nem convença ninguém do mérito de um problema.
5. **Perguntar quanto pagaria.** Não há justificativa econômica para o cliente dar outra coisa que não um número baixo — e a pergunta o deixa desconfortável.
6. **Ficar dentro do prédio.** Não existem fatos dentro do prédio, só opiniões.
7. **Aceitar o problema como enunciado.** Parte do seu trabalho é garantir que o problema declarado é o melhor problema a atacar.
8. **Efeito Hawthorne.** As pessoas mudam de comportamento quando sabem que estão sendo observadas.

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### Antes de registrar pessoas

| Arquivo | Quando |
|---|---|
| `../../metodo/consentimento.md` | Antes da primeira entrevista. Como pedir para gravar, e o que fazer se a pessoa recusar |

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### Técnicas desta quest

Fichas curtas de consulta rápida. Abra quando o procedimento acima mencionar a técnica.

| Ficha | Para quê |
|---|---|
| **Entrevistas** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md) | as modalidades e quando usar cada uma |
| **Mapa de Empatia** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md) | tensão entre o que fala e o que faz |
| **Personas** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md) | refinar com o que a entrevista trouxe |
| **Jornada do Usuário** (https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md) | a jornada atual, com as dores |

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## Perguntas frequentes

**"Posso entrar em qualquer grupo formado depois da Q1?"**
Não. Os grupos são balanceados por curso de origem, para que formações horizontais não se concentrem num grupo só e as verticais não se diluam em todos. Se você não estava na formação, procure o professor presencialmente.

**"Quantas entrevistas são suficientes?"**
Dez é o piso. Mas o critério real não é número: **você terminou quando para de aprender** — quando consegue prever o que a pessoa vai dizer com duas perguntas de qualificação.

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## Bibliografia desta quest

| Obra | O que ela dá para a Q2 |
|---|---|
| **Maurya — Running Lean** | A entrevista de problema, cronometrada, com formulário e critério de saída |
| **Blank — The Four Steps to the Epiphany** | A escala de dor, os papéis de compra, o ritmo de prospecção |
| **Hanington & Martin — Universal Methods of Design** | Laddering, incidente crítico, Kano, cartas de amor e término |
| **Stickdorn & Schneider — This Is Service Design Thinking** | Cinco porquês, shadowing, stakeholders |
| **Vianna et al. — Design thinking: inovação em negócios** | Dizem/fazem/sabem; arqueologia do artefato; cartões de evocação |
| **IDEO — HCD Toolkit** · **Stickdorn** · **Hanington** | Bibliografia oficial da quest no site |

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# Modo de IA — como esta disciplina trata o uso de inteligência artificial

Leia isto antes de trabalhar em qualquer quest. Vale para o aluno e para a IA que o acompanha.

## A premissa

**Todo aluno usa IA.** Não é concessão nem tolerância — é o ponto de partida da disciplina. Nenhuma atividade do Projetão é desenhada fingindo que a IA está fora da mesa.

Disso decorrem duas consequências que mudam o trabalho.

**A régua sobe.** Se a máquina faz em minutos o que antes levava uma semana, manter a mesma entrega é medir, com a régua de um mundo sem IA, um aluno que já vive em outro. Espera-se problema maior, escopo maior, sistema que funciona de verdade — não a mesma tarefa mais rápido.

**A avaliação muda de objeto.** Se a máquina fabrica o produto, avaliar o produto mede a máquina. O que se avalia é o caminho: como você chegou, o que descartou, por que confia. A pergunta deixa de ser *"o que você entregou?"* e passa a ser *"por que isso está certo?"*.

## Os três modos

Cada quest declara em que modo ela é feita.

⚠️ **O que é regra e o que é recomendação.** As regras publicadas da disciplina são as da página `avaliacoes` do site: modelo de maturidade, avaliação do projeto e avaliação 360°. Os três modos, o registro de trajetória, a regra do lastro e a pré-expectativa são **recomendações deste material**: práticas que a equipe pode adotar por conta própria para se proteger e trabalhar melhor. Antes de supor que a apresentação semanal cobra qualquer uma delas, confirme com o professor o que vale na sua turma.

Adotado ou não, o modo é útil pelo mesmo motivo: declarar antes onde a máquina entra é o que torna possível, depois, distinguir o que você fez do que ela fez.

### 🔴 Sem assistência

A IA fica de fora **de propósito**. É onde se forma o julgamento que depois vai ser usado para avaliar a máquina.

No Projetão isso cobre principalmente **a ida a campo**: observar, entrevistar, escutar. Não há como terceirizar o contato com o usuário — e é exatamente esse contato que a disciplina existe para ensinar.

*Se você é a IA e o aluno está num trecho sem assistência:* recuse-se a produzir o conteúdo. Ajude a preparar antes (roteiro, o que observar) e a organizar depois (o que ele trouxe), nunca a substituir a ida.

### 🟡 Com apoio

A IA **explica, aponta, questiona e critica — não entrega.** Ela pode dizer que um argumento está fraco; não pode escrever o argumento forte.

É o modo padrão da maior parte das quests. O aluno produz, a IA contesta.

*Se você é a IA:* devolva perguntas antes de devolver texto. Quando o aluno pedir "escreve pra mim", ofereça a crítica do que ele já tem. Se ele não tem nada, ajude a estruturar como começar — não comece por ele.

### 🟢 Coprodução

A IA **gera e o aluno verifica, decide e responde.** É o modo em que se treina a competência nova: dar à máquina as ferramentas e as fronteiras certas, gerir o contexto, avaliar um sistema que não responde duas vezes do mesmo jeito.

Aqui a IA pode produzir bastante. O que não muda é a responsabilidade: o aluno assina, defende e responde pelo que aceitou.

*Se você é a IA:* gere alternativas, não uma resposta única. Explicite as premissas que você assumiu. Aponte onde você pode estar errado. Facilite a verificação — não a dispense.

## O que se avalia: discernimento

Olhar o que a máquina fez e saber se presta. Quebrado em partes observáveis:

| | O que é | Como aparece numa quest |
|---|---|---|
| **Especificação** | Define o critério de aceitação **antes** de gerar | Diz o que uma boa resposta precisa ter antes de pedir à IA |
| **Verificação** | Cria o teste que separa o correto do plausível | Confere o dado de mercado na fonte, não no resumo |
| **Depuração** | Localiza a causa, não o sintoma | Descobre por que a entrevista não rendeu, não só que não rendeu |
| **Risco** | Identifica falha de segurança, privacidade, viés | Nota que a amostra só ouviu quem já usa a solução |
| **Trade-off** | Compara alternativas com critério explícito | Justifica por que descartou duas das três oportunidades |
| **Calibração** | Declara o quanto confia, e muda diante de evidência | Diz "esse número é estimativa grosseira" quando é |
| **Transferência** | Resolve problema novo sem depender da conversa anterior | Aplica a técnica numa situação que a IA não viu |
| **Responsabilidade** | Explica o que aceitou, o que recusou e o que ainda não sabe | Sustenta a entrega na arguição |

## O registro de trajetória

Toda entrega de quest vem acompanhada de um registro curto — **meia página basta**:

1. **Modo** em que a quest foi feita, e onde você saiu dele (se saiu).
2. **O que a IA gerou e você descartou** — e por quê. Este é o item mais informativo dos quatro.
3. **O que você verificou** e como. Que afirmação você foi conferir na fonte?
4. **O que ainda não sabe.** Incerteza declarada não tira ponto; incerteza escondida, sim.

Não é burocracia de controle. É o material sobre o qual a nota é formada — e o único jeito de o mérito do aluno aparecer quando o artefato poderia ter saído de qualquer lugar.

## O que a disciplina não faz

- **Não usa escore de detector de IA como prova.** Detectores erram de forma desigual: num teste com redações do **TOEFL** escritas por humanos, sete detectores classificaram como geradas por IA **61%** das redações de quem não é falante nativo de inglês, contra **5%** das de nativos (Liang, Yuksekgonul, Mao, Wu & Zou, *GPT detectors are biased against non-native English writers*, arXiv:2304.02819, 2023 — publicado em *Patterns*). ⚠️ O estudo mede texto em inglês; não há medida equivalente para português, e um contra-estudo do ETS com detectores mais recentes encontra viés menor (Jiang, Bosch, Attali & LaFlair, *Do AI detectors discriminate against non-native English writers?*, ETS Research, 2024). O ponto que sustenta a decisão não depende do número exato: **detector produz suspeita, não prova**, e o erro não se distribui por igual.
- **Não trata declaração de não-uso como mecanismo de controle.** Além de não ser cumprida pela maioria, expõe justamente quem declara com honestidade.

O que substitui os dois é mais trabalhoso e é o que forma: avaliar o processo e o raciocínio.

## Duas obrigações que valem nos dois sentidos

**Acesso.** Assumir que todo aluno usa IA e deixar cada um arcar sozinho com a ferramenta converteria capacidade de pagamento em desempenho. A disciplina se compromete a viabilizar acesso por modelos gratuitos, quotas e parcerias. Se você está sem acesso, isso é problema da disciplina, não seu — avise.

**Custo.** Use o modelo adequado à tarefa, não o maior por reflexo, e declare a escolha quando ela for relevante. Formar alguém para usar bem uma tecnologia inclui formá-lo para perguntar quanto ela custa — e não apenas em dinheiro.

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*Baseado no manifesto do Porto Digital sobre formação em tecnologia na era da IA (Residência Tecnológica, 2026). A adoção no Projetão está em curso: o que funcionar e o que não funcionar será medido e publicado.*

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# Consentimento e dados de terceiros

Este material manda você fotografar pessoas em campo, gravar entrevistas, gravar tela de teste de usabilidade e registrar nome e contato de quem foi ouvido. Tudo isso é **dado de outra pessoa**. Ela não é sua colega de equipe nem parte do projeto: ela cedeu meia hora do dia dela.

O que segue é o mínimo para que a coleta seja honesta. Não é assessoria jurídica, e não substitui o que o professor ou o comitê de ética da instituição determinar. Se o seu projeto envolve **saúde, crianças e adolescentes, população em situação de vulnerabilidade, dados de pessoas identificáveis em contexto sensível ou qualquer forma de dado que possa expor alguém**, pare aqui e pergunte ao professor antes de ir a campo.

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## A regra curta

**Pergunte antes, em voz alta, e aceite o não.**

Três frases, ditas no começo da conversa, resolvem a maior parte dos casos:

> "Sou aluno da UFPE, estou fazendo um trabalho de disciplina sobre *[tema]*. Posso te fazer umas perguntas por uns 20 minutos?"
>
> "Posso gravar só o áudio, para eu não perder nada? Fica com a minha equipe e com o professor da disciplina, que confere o trabalho; ninguém mais ouve, e eu apago no fim do semestre."
>
> "Se em algum momento você quiser parar, ou quiser que eu tire alguma coisa, é só falar."

Se a pessoa hesitar na segunda, **não grave** — anote. Uma entrevista anotada vale mais que uma gravação que a pessoa cedeu constrangida.

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## O que muda conforme o registro

| Registro | O que fazer |
|---|---|
| **Anotação escrita** | Avise que está anotando. Não registre nome completo se não precisar dele. |
| **Áudio** | Peça na hora, com a gravação **ainda desligada**. Comece a gravação pedindo de novo, agora gravado: assim o consentimento fica no próprio arquivo. |
| **Foto de pessoa identificável** | Peça. Se for espaço público e a pessoa não é o assunto (multidão, movimento do lugar), enquadre de modo que ela não seja identificável. |
| **Foto de lugar, objeto, fila, cartaz** | Livre, desde que não capture rosto, documento nem tela com dado de alguém. |
| **Foto de gambiarra** | **Peça.** Gambiarra quase sempre documenta alguém contornando uma regra do próprio trabalho — o exemplo canônico da disciplina é discutir caso clínico por WhatsApp. A pessoa é identificável pelo contexto mesmo sem aparecer, e a foto pode custar o emprego dela. Fotografe só com permissão, e descreva sem nomear o local se houver qualquer risco. |
| **Vídeo ou gravação de tela em teste de usabilidade** | Peça explicitamente e diga o que vai ser gravado (a tela e a voz, não o rosto — é o padrão, e basta). |
| **Nome e contato** | Só colete se você **vai** usar: para voltar a falar com a pessoa, ou para o professor conferir. Guarde separado das respostas. |

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## Observação em espaço público

Observar o movimento de uma praça, de uma fila, de um ginásio não exige pedir permissão a cada pessoa — mas exige três cuidados:

1. **Não registre rosto, placa, crachá, documento ou tela alheia** sem pedir.
2. **Se alguém perguntar o que você está fazendo, responda a verdade.** Você é aluno, está fazendo um trabalho, e vai embora. Observador que se esconde perde o direito de estar ali.
3. **Se o lugar tem dono ou responsável** — comércio, escola, posto de saúde, empresa —, apresente-se a ele antes. Entrar sem avisar e depois ser descoberto queima o campo para você e para as próximas turmas.

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## Campo virtual

A Q1 diz que **espaço virtual conta**, e boa parte das técnicas tem versão à distância. As regras mudam:

| Situação | O que fazer |
|---|---|
| **Observar comunidade online** (grupo, fórum, comentários) | Ler é uma coisa; **reproduzir** é outra. Não cole print com nome de usuário, foto de perfil ou texto que identifique alguém. Parafraseie, ou peça autorização à pessoa. Grupo fechado não é espaço público: entrar para pesquisar sem dizer a que veio é o mesmo que observar escondido. |
| **Chamada de vídeo** | Peça para gravar **antes** de apertar o botão, e de novo já gravando. Diga se o rosto entra ou só a voz. Ferramenta que transcreve sozinha também é gravação: avise. |
| **Teste de usabilidade remoto** | Grave tela e voz, não a câmera. Lembre a pessoa de fechar aba, notificação e qualquer coisa pessoal antes de compartilhar a tela — a responsabilidade de avisar é sua. |
| **Formulário** | Não peça dado que você não vai usar. Se pedir e-mail ou telefone, diga para quê, e não torne obrigatório. |
| **Print de conversa** (WhatsApp, chat) | É dado de duas pessoas, não de uma. Peça às duas, ou tarje. |

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## A pessoa pode mudar de ideia depois

Consentimento não é assinatura que encerra o assunto. Se a pessoa procurar você depois da conversa e pedir para retirar o que disse, ou apagar a gravação, **atenda** — mesmo que já esteja na entrega. Diga isso a ela no começo:

> "Se depois você quiser que eu tire alguma coisa, me avisa que eu tiro."

Guarde um jeito de encontrar o material dela: se você não sabe qual gravação é de quem, não consegue cumprir a promessa.

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## E a lei

No Brasil vale a **LGPD** (Lei 13.709/2018). Você não precisa virar especialista, mas três noções mudam decisões concretas:

- **Dado pessoal** é o que identifica alguém — nome, telefone, e-mail, imagem, voz, e também o que identifica **por combinação** ("o enfermeiro do turno da noite daquele posto").
- **Dado sensível** — saúde, origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação sindical, vida sexual, biometria — tem regra mais estrita. Se o seu projeto encosta nisso, fale com o professor **antes** de coletar.
- **Finalidade e prazo:** você coleta para o trabalho da disciplina, e apaga no fim do semestre. Usar depois para outra coisa — um artigo, uma startup, um portfólio — é outra finalidade e exige pedir de novo.

⚠️ Isto é orientação de bolso, não parecer jurídico. Em dúvida, pergunte ao professor.

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## Quem não pode consentir sozinho

- **Menores de 18 anos:** o consentimento é de quem responde por eles. Se o seu projeto é sobre adolescentes, isso não é detalhe de execução — é uma restrição de escopo que muda o cronograma. Fale com o professor **antes da Q1**.
- **Pessoa em situação de dependência em relação a você** (seu funcionário, seu aluno, alguém que espera algo de você): o "sim" dela não é livre. Procure outra pessoa.
- **Pessoa que não entendeu o que você pediu.** Se você não conseguiu explicar em duas frases o que vai fazer com o material, o problema é seu, não dela.

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## Enquanto o material existe

- **Guarde no lugar da equipe, não no seu celular pessoal** — e num lugar em que quem saiu da equipe deixa de ter acesso.
- **Não publique bruto.** Nem no repositório do projeto, nem no slide do Demoday, nem no grupo da turma. Na apresentação vai o **achado**, não a gravação; se for indispensável mostrar um trecho, peça de novo à pessoa, especificamente para isso.
- **Anonimize na entrega.** "Jorge, 53 anos, usuário do parque" é persona. "Jorge Silva, (81) 9xxxx-xxxx, mora na rua tal" é dado pessoal e não entra em documento que circula.
- **Apague no fim do semestre.** Diga isso à pessoa no começo, e depois cumpra.

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## O que a IA não faz aqui

Este é um ponto em que a máquina não ajuda, e tentar usá-la piora:

- **Não peça à IA que invente a fala de um entrevistado**, nem para "completar" uma entrevista curta. Se você tem cinco minutos de conversa e precisa de vinte, volte a campo.
- **Não cole gravação nem transcrição com nome, contato ou dado de saúde de terceiro** numa ferramenta de IA sem saber o que ela faz com aquilo. Anonimize antes: troque nomes por iniciais, tire telefone e endereço.
- **Transcrever e organizar o que a pessoa disse** é uso legítimo (🟡 com apoio). **Escrever o que ela teria dito** não é uso: é invenção de evidência, e é o erro que mais desqualifica um projeto.

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## O teste de uma frase

Antes de registrar qualquer coisa, pergunte-se:

> **Se essa pessoa visse depois o que eu guardei, e onde guardei, ela se sentiria enganada?**

Se a resposta for "talvez", peça de novo — agora explicando a parte que você não explicou.

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## Fontes

- **IDEO**, *HCD Toolkit* (pt-BR) — a fase *Ouvir*: apresentar-se, explicar o propósito e pedir permissão antes de registrar
- **Holtzblatt, Wendell & Wood**, *Rapid Contextual Design* — o acordo explícito com o participante no começo da sessão de indagação contextual
- **Steve Krug**, *Não me faça pensar* / *Rocket Surgery Made Easy* — a prática de gravar tela e voz, não rosto, e de avisar o participante do que está sendo gravado. Krug vai além e prescreve um **formulário de autorização de gravação, assinado antes da sessão**; num trabalho de disciplina o pedido verbal gravado costuma bastar, mas se a sessão vai ser gravada em vídeo, ou o material pode sair da equipe, use o formulário
- **Lei 13.709/2018 (LGPD)** — as noções de dado pessoal, dado sensível, finalidade e prazo
- ⚠️ O restante deste arquivo é **orientação da disciplina**, não regra publicada no site do Projetão nem parecer jurídico. Em projeto que envolva população vulnerável ou dado sensível, a palavra final é do professor e do comitê de ética da instituição.

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# Autodiagnóstico — Quest #2

Faça este exercício **antes** de entregar. É o mesmo que o mentor vai fazer depois.

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## O milestone que abre aqui

A Q2 alimenta o milestone **Usuário** — clareza sobre quem é o usuário/consumidor potencial. É o primeiro dos 13, e a aprovação exige nível 4 em todos. A escala 0–5 está em `metodo/avaliacao.md`.

O salto que trava a maioria é o **3 → 4**. Na Q2 ele tem nome preciso: sair de *"achamos que o usuário é assim"* para *"conversamos com dez pessoas e o padrão é este, com estas exceções"*.

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## Rubrica por dimensão

### 1. Campo — quantas pessoas, e quem

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|---|---|
| **2** | Três ou quatro conversas informais, com gente do próprio círculo, sem roteiro. |
| **3** | Sete a dez entrevistas com roteiro, mas todas com o mesmo tipo de pessoa. |
| **4** | Dez ou mais entrevistas com roteiro cronometrado, cobrindo mais de um papel de compra, com registro individual. |
| **5** | O acima, mais um segundo lote depois de revisar o roteiro, com sinal demonstravelmente mais forte. |

### 2. Definição do usuário afoito

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|---|---|
| **2** | Demografia genérica, que serviria para qualquer projeto ("jovens de 18 a 30, classe B"). |
| **3** | Perfil com comportamento, mas sem o que separa quem sentiu a dor de quem não sentiu. |
| **4** | Atributos que **qualificam**: com duas ou três perguntas vocês preveem se a pessoa tem o problema. |
| **5** | O acima, mais os segmentos **descartados** e por quê. |

### 3. Intensidade do problema

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|---|---|
| **2** | Os problemas estão listados sem classificação, ou todos foram classificados como *must-have*. |
| **3** | Classificação feita, mas apoiada só no que a pessoa declarou. |
| **4** | Classificação conferida contra comportamento: para cada *must-have*, vocês dizem **o que a pessoa faz hoje** a respeito. |
| **5** | O acima, com uma **desconexão nomeada** — alguém que declarou *must-have* e não age, ou o contrário — e a leitura dela. |

### 4. Alternativa existente e gambiarra

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|---|---|
| **2** | "Não existe nada parecido" — resposta que quase nunca é verdadeira. |
| **3** | Alternativas listadas por busca na web, não por relato de campo. |
| **4** | Para cada problema, **como o cliente resolve isso hoje**, com nome, custo e satisfação; gambiarras descritas, não só citadas. |
| **5** | O acima, mais o registro de quem **não faz nada** e convive bem — o que delimita o tamanho da oportunidade. |

### 5. Mapa de influência

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|---|---|
| **2** | Um par cliente/usuário, sem mais. |
| **3** | Papéis nomeados, mas só o usuário final foi entrevistado. |
| **4** | Os papéis do contexto mapeados, dois deles entrevistados, e uma hipótese explícita de **sabotador**. |
| **5** | O acima, com a ordem em que cada papel precisaria ser convencido, e o que cada um perde. |

### 6. Escolha das 2–3 oportunidades

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|---|---|
| **2** | As oportunidades são a solução que a equipe já queria fazer, escrita ao contrário. |
| **3** | São problemas de verdade, mas a escolha entre eles não está justificada. |
| **4** | Cada uma tem evidência de campo, evidência de mídia ou publicação, e a resposta à bifurcação — dor aguda em grupo limitado **ou** dor branda em público grande, com número. |
| **5** | O acima, mais o que foi **descartado** e o critério do descarte. |

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## Checklist rápido

- [ ] Entrevistei pelo menos 10 pessoas, com roteiro, e tenho ficha de cada uma?
- [ ] Consigo enunciar **um** problema *must-have* — não três?
- [ ] Para esse problema, sei descrever como a pessoa resolve isso hoje?
- [ ] Anotei **as palavras dela**, ou só a minha paráfrase?
- [ ] Reordenei a lista de problemas entre entrevistas?
- [ ] Entrevistei alguém que **não** é o usuário final?
- [ ] Tenho hipótese de quem perderia alguma coisa se o projeto existisse?
- [ ] Alguma entrevista me fez mudar de ideia — ou todas confirmaram o que eu já achava?
- [ ] O número de impacto que eu vou citar veio de uma fonte que eu **abri**?

**Sinal de alerta:** se nenhuma das dez entrevistas mudou nada no seu entendimento, ou o roteiro estava vendendo em vez de perguntando, ou você só falou com quem já concordava.

**Segundo sinal:** se os seus 2–3 problemas são "as pessoas não têm um app para X", isso é a sua solução escrita ao contrário.

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## Registro de trajetória (modo de IA)

Meia página, entregue junto. Ver `metodo/modo-ia.md` para o racional.

1. **Modo em que a quest foi feita, e onde você saiu dele.**
   *Na Q2 a entrevista é 🔴 sem assistência e o roteiro é 🟡 com apoio. Se a IA gerou perguntas que foram a campo sem revisão sua, diga.*

2. **O que a IA gerou e você descartou — e por quê.**
   *Típico da Q2: uma lista plausível de "dores do usuário" gerada a partir do tema, antes de qualquer entrevista. Mantê-la como hipótese a testar é correto; entregá-la como achado de campo, não.*

3. **O que você verificou, e como.**
   *Típico da Q2: o número de mercado da pergunta 8 da entrega. Diga qual afirmação você foi conferir, em que fonte, e o que encontrou de diferente.*

4. **O que ainda não sabe.**
   *Exemplos honestos: "não falamos com nenhum comprador econômico"; "só ouvimos gente do turno da manhã".*

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## Como o mentor vai ler

Quatro perguntas que aparecem com regularidade na apresentação da Q2. Se você responde às quatro, está em 4.

1. **"Quantas pessoas vocês entrevistaram, e quem eram?"** Resposta fraca: "várias, do público-alvo". Forte: número, papéis, como chegaram até elas.
2. **"Como essas pessoas resolvem isso hoje?"** Se a resposta for "não resolvem", não ter encontrado a alternativa existente é falha de entrevista, não ausência de concorrente.
3. **"Alguém está fazendo alguma coisa a respeito, ou só reclamou?"** É o teste que separa dor real de resposta educada.
4. **"O que vocês ouviram que não esperavam ouvir?"** Não ter resposta indica campo confirmatório.

Divergência entre a sua auto-avaliação e a leitura do mentor é informação útil, não constrangimento.

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> Versão leve. As referências completas desta quest estão em
> https://projetao-ufpe.vercel.app/baixar/colar/projetao-02.md
